Supergirl

(2026) ‧ 1h47

"Supergirl": Uma aventura cósmica em busca de identidade

Felipe Fornari

Supergirl marca a chegada de uma nova fase para a heroína dentro do universo da DC, após uma breve aparição em Superman, apostando em uma abordagem que se distancia da imagem mais luminosa e tradicional associada à personagem. Dirigido por Craig Gillespie, o filme transforma Kara Zor-El em uma figura mais melancólica, carregada pelo peso de ter sobrevivido ao fim de Krypton e pela dificuldade de encontrar seu lugar em uma galáxia que parece sempre exigir que ela seja algo maior do que consegue ser.

A grande força do filme está em Milly Alcock, que encontra o equilíbrio ideal entre a dureza e a vulnerabilidade de Kara. Sua interpretação entende que a personagem não é apenas uma versão feminina do Superman, mas alguém com uma trajetória própria, marcada por perdas e por uma sensação constante de deslocamento. Alcock transmite essa solidão com naturalidade, criando uma heroína que parece menos interessada em salvar o universo e mais preocupada em entender onde ela pertence.

O filme funciona melhor quando assume sua estrutura de road movie espacial, levando Kara e Ruthye Marie Knoll (Eve Ridley) por diferentes mundos e situações enquanto a relação entre as duas se transforma. O vínculo construído entre elas é o verdadeiro coração da narrativa, explorando temas como luto, vingança e a possibilidade de encontrar apoio justamente quando tudo parece perdido.

Essa jornada também permite que Supergirl abrace uma estética mais suja e caótica, próxima de uma mistura entre aventura espacial e faroeste futurista. Há ecos de Guardiões da Galáxia e da brutalidade visual de Mad Max: Estrada da Fúria, mas o filme encontra sua própria identidade ao colocar a protagonista em um cenário onde seus poderes nem sempre são suficientes para resolver seus problemas.

O problema aparece quando a trama aposta em conflitos mais convencionais do que seus conceitos prometem. Krem, interpretado por Matthias Schoenaerts, acaba sendo um antagonista pouco desenvolvido, funcionando mais como uma força de ameaça do que como uma presença capaz de desafiar verdadeiramente Kara. Sua maldade é muito mais funcional para mover a história do que interessante do ponto de vista dramático.

Jason Momoa também surge como uma presença divertida na pele de Lobo, trazendo energia e carisma para o caçador de recompensas. O personagem combina com o espírito irreverente do filme, embora sua construção fique limitada a uma coleção de atitudes exageradas e frases provocativas. Ainda assim, sua participação ajuda a manter o ritmo de uma aventura que sabe quando abraçar o absurdo.

Mesmo com algumas escolhas narrativas que poderiam ser mais aprofundadas, Supergirl funciona como uma introdução eficiente para uma heroína que merece ocupar seu próprio espaço. Ao invés de tentar repetir fórmulas já conhecidas, o filme encontra seu valor em uma protagonista imperfeita, cansada e humana, entregando uma jornada divertida sobre perda, pertencimento e a busca por uma nova casa.

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