O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel

(2001) ‧ 2h58

31.12.2001

"A Sociedade do Anel" se destaca como um dos exemplos mais empolgantes do cinema de fantasia em muito tempo

No panteão dos escritores de fantasia, nenhuma divindade é tratada com maior reverência do que J.R.R. Tolkien, considerado pela maioria dos leitores como o Pai da Fantasia Moderna. Graças a ele a fantasia se tornou ainda mais popular. Isso não teria acontecido sem a influência de O Hobbit e O Senhor dos Anéis. Quase todos os autores de fantasia publicados reconhecem ter lido e sido inspirados pelo cânone de Tolkien e, embora O Senhor dos Anéis não seja a série de fantasia mais complexa até hoje, continua sendo o padrão pelo qual todas as obras semelhantes são avaliadas. É a série de fantasia épica derradeira.

Quando Tolkien começou a escrever O Hobbit na década de 1930, ele não sabia que estava essencialmente definindo um gênero. Tolkien não foi o primeiro autor a escrever o que eventualmente seria rotulado como “fantasia”, mas sua síntese de elementos – mitologia, histórias de heroísmo grandioso, o sobrenatural e contos de fadas – foi única. Nada na escala ou escopo de suas obras havia sido visto anteriormente – nem mesmo as lendas do Rei Arthur, Merlin e Camelot foram tão bem desenvolvidas.

No final da década de 1990, o diretor neozelandês Peter Jackson (Almas Gêmeas) tinha dois projetos na manga – uma refilmagem de King Kong e uma ambiciosa adaptação de três filmes de O Senhor dos Anéis. Por um tempo, parecia que King Kong receberia luz verde, mas o projeto foi esmagado após o fracasso de Godzilla. Então Jackson voltou sua atenção para O Senhor dos Anéis. Jackson encontrou a casa da franquia na New Line Cinema. A empresa da Warner investiu quase US$ 300 milhões no pacote dos três filmes, que foram filmados em sequência por quase 2 anos.

Dizer que os filmes de fantasia não tinham sido uma grande atração nas bilheterias até então é subestimar o assunto. Muito disso tinha a ver com a má qualidade dos produtos. Finalmente, 2001 assistiu ao surgimento tardio da fantasia como um gênero cinematográfico de qualidade. Harry Potter e a Pedra Filosofal foi um dos lançamentos mais aguardados do ano e perfomava incrivelmente bem nas bilheterias e, logo após, estreou O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel.

O filme se passa numa terra fantástica e única, chamada Terra-Média, um hobbit (seres de estatura entre 80 cm e 1,20 m, com pés peludos e bochechas um pouco avermelhadas) recebe de presente de seu tio o Um Anel, um anel mágico e maligno que precisa ser destruído antes que caia nas mãos do mal. Para isso o hobbit Frodo (Elijah Woods) terá um caminho árduo pela frente, onde encontrará perigo, medo e personagens bizarros. Ao seu lado para o cumprimento desta jornada aos poucos ele poderá contar com outros hobbits, um elfo, um anão, dois humanos e um mago, totalizando 9 pessoas que formarão a Sociedade do Anel.

O Senhor dos Anéis é uma aventura e, nisso, é um sucesso implacável. Não é preciso ter lido os livros para apreciar o filme. O pano de fundo é explicado de forma concisa. Contanto que alguém goste de uma história de aventura bem elaborada tendo como pano de fundo um confronto mítico entre o bem e o mal, O Senhor dos Anéis é o filme para esse espectador.

Como todos os grandes filmes deste tipo, A Sociedade do Anel possui grandiosas cenas de ação pontuadas por momentos de descanso e reflexão. Ao longo do caminho, há triunfo, tristeza e um pouco de profundidade filosófica. O Senhor dos Anéis enfatiza dois temas: a importância da fraternidade e a necessidade da verdadeira força vir de dentro.

Ao elaborar sua visão da Terra Média, Jackson empregou todos os truques disponíveis: miniaturas, ângulos de câmera engenhosos, filmagens em locações, cenografia impressionante e pinturas foscas. Ele também fez uso de computação gráfica, mas tentando dosar tudo perfeitamente. Assim, O Senhor dos Anéis tem uma aparência menos artificial do que poderia ter sido se Jackson tivesse confiado demais na computação gráfica. A fotografia de Andrew Lesnie dá o tom épico que se espera do filme, e a trilha sonora de Howard Shore, que às vezes é heróica e às vezes super sensível, complementa o visual sem nunca chamar a atenção para si mesma.

A força da visão de Jackson em A Sociedade do Anel dava aos espectadores motivos suficientes para esperar por suas continuações. O Senhor dos Anéis é um marco não apenas para seu gênero, mas para o cinema em geral. A Sociedade do Anel, por si só, se destacava como um dos exemplos mais empolgantes do gênero em muito tempo. Jackson descobriu como fazer justiça à fantasia épica na tela grande.

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AUTOR

Felipe Fornari

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