007 – Um Novo Dia Para Morrer marcou o vigésimo filme da franquia James Bond, mas infelizmente, em vez de celebrar o legado do espião, o filme se perde em uma tentativa desastrosa de modernizar 007 com elementos exagerados e clichês de filmes de ação da época. Embora a trama comece de maneira promissora, com Bond (Pierce Brosnan) sendo capturado e torturado por 14 meses na Coreia do Norte, a história rapidamente se transforma em um desfile de explosões barulhentas e efeitos especiais de qualidade duvidosa.
O grande problema do filme é sua falta de identidade. Ao tentar se adequar à moda dos filmes de ação superestimados do início dos anos 2000, como XXX, o filme se afasta do charme clássico de Bond, entregando algo que mais parece uma paródia mal feita do que uma homenagem ao personagem. O filme ultrapassa a linha da autossátira, com cenas que desafiam a lógica e o bom senso, algo que, mesmo para um filme de James Bond, acaba sendo exagerado.
Os personagens, que em outros filmes da franquia conseguem ser carismáticos e memoráveis, aqui são quase figurantes em meio às sequências de ação. O vilão Gustav Graves (Toby Stephens) e seu comparsa Zao (Rick Yune) são incrivelmente sem sal, sem qualquer profundidade ou características que os tornem ameaçadores ou cativantes. Nem mesmo o carisma usual de Brosnan como Bond consegue salvar o filme, já que o personagem parece ser reduzido a uma caricatura de si mesmo, sem a vivacidade presente em seus filmes anteriores.
No entanto, a primeira metade do filme é intrigante, com a premissa de Bond sendo capturado e traído durante uma missão na Coreia do Norte. Isso cria uma atmosfera sombria e promissora que, infelizmente, é desperdiçada conforme o enredo avança para sequências cada vez mais absurdas. Quando Bond chega a Havana e se encontra com a agente Jinx (Halle Berry), o filme começa a se perder em uma série de clichês de ação que não fazem jus ao legado da franquia.
A tentativa de dar a Jinx um papel mais ativo como aliada de Bond é válida, mas a química entre Halle Berry e Pierce Brosnan é quase inexistente. Embora Berry seja uma atriz talentosa, sua performance como uma “Bond girl” fica aquém das expectativas, e a relação entre Jinx e Bond parece forçada e desinteressante. Ao contrário de outras parceiras de Bond, Jinx não consegue deixar uma marca significativa na trama.
Outro aspecto decepcionante é a trilha sonora, particularmente a música tema cantada por Madonna. Diferente das canções icônicas dos filmes anteriores, a faixa de 007 – Um Novo Dia Para Morrer é uma aberração pop que não se encaixa no tom da franquia. Para piorar, Madonna também faz uma breve e esquecível participação no filme, que em nada contribui para a narrativa.
Há algumas cenas memoráveis, como a batalha de esgrima entre Bond e Graves, que traz uma adrenalina genuína. O humor sarcástico de Q (John Cleese) em suas interações com Bond também proporciona alguns momentos de leveza, especialmente durante o tour pelos gadgets – que incluem, de forma questionável, um carro invisível. No entanto, essas poucas cenas não são suficientes para redimir o filme como um todo.
A direção de Lee Tamahori, que já mostrou seu talento em filmes como Guerreiros de Antares, não parece entender a essência de Bond. A mistura de elementos clássicos com tentativas de inovar acaba resultando em um filme desajeitado, que não consegue encontrar o equilíbrio entre tradição e modernidade. O excesso de computação gráfica mal executada, aliado a uma direção que favorece o espetáculo em detrimento da narrativa, torna 007 – Um Novo Dia Para Morrer uma das entradas mais fracas da franquia.
Apesar de todos esses problemas, é importante lembrar que uma má fase não significa o fim de James Bond. A história da franquia já provou que Bond pode se reinventar e voltar mais forte. No entanto, 007 – Um Novo Dia Para Morrer serve como um lembrete de que o agente 007 funciona melhor quando mantém suas raízes firmes em sua essência – um espião sofisticado, envolto em tramas inteligentes e cheias de charme, e não em explosões exageradas.