Velozes & Furiosos 6 chega como mais um capítulo da saga que se reinventa a cada filme, mas dessa vez a ação supera qualquer noção de plausibilidade. O filme se entrega a sequências de ação tão absurdas que desafiam as leis da física e a lógica, transformando-o quase em um desenho animado de carros velozes e personagens invencíveis. Para os fãs da franquia, isso pode ser exatamente o que estavam esperando. Para outros, como eu, assistir a este filme é mais uma tarefa do que um entretenimento.
O enredo segue o já conhecido grupo liderado por Dom (Vin Diesel) e Brian (Paul Walker), que agora são chamados por Hobbs (Dwayne Johnson) para deter uma perigosa organização criminosa. O grande atrativo desta vez é o retorno de Letty (Michelle Rodriguez), que Dom acreditava estar morta. No entanto, essa ressurreição conveniente, junto com uma amnésia clichê, tira qualquer peso emocional da história. O resultado é uma trama que parece uma versão reciclada de filmes de espionagem ruins, com um vilão genérico e um plano mirabolante que serve apenas para justificar as cenas de ação.
Falando em ação, é inegável que Velozes & Furiosos 6 entrega o que promete: perseguições e sequências de luta com ritmo frenético. A cena do tanque de guerra na estrada, por exemplo, é tão exagerada que chega a ser engraçada, o que pode ter sido uma intenção do diretor Justin Lin. Se você procura realismo ou tensão, porém, não vai encontrar aqui. A cada cena, fica mais claro que o perigo para os personagens principais é praticamente inexistente. Mesmo a ameaça de morte é anulada quando um personagem morto reaparece do nada.

O problema maior de Velozes & Furiosos 6 é que, apesar de toda a ação, o filme carece de alma. Os personagens, que antes mostravam alguma evolução, agora parecem autômatos, recitando diálogos que muitas vezes são dolorosamente forçados. Vin Diesel e Dwayne Johnson competem para ver quem consegue fazer mais cara de durão, enquanto Paul Walker, que já teve momentos mais brilhantes na série, está reduzido a um coadjuvante sem expressão. Até o retorno de Michelle Rodriguez soa mais como uma jogada de marketing do que algo que realmente agrega à história.
O vilão de Luke Evans, Owen Shaw, é um dos poucos elementos que tenta dar alguma energia ao filme. Embora seu personagem seja tão unidimensional quanto o resto da trama, Evans pelo menos traz uma presença que, em certos momentos, eleva o nível das cenas em que aparece. Comparado aos outros antagonistas da franquia, Shaw tem um toque de inteligência que falta ao restante do filme, mas isso ainda não é suficiente para compensar a falta de profundidade do enredo.
O que realmente faz falta em Velozes & Furiosos 6 é a tensão. Filmes de ação como Dredd ou The Raid: Redemption conseguem entregar sequências intensas com lutas visceralmente envolventes e um senso de urgência que falta aqui. Nessas produções, a violência exagerada eleva a adrenalina; já em Velozes & Furiosos 6, o excesso de computação gráfica e o roteiro previsível tornam tudo um espetáculo visual vazio. É como assistir a uma versão sem interatividade de um videogame.

Para quem gosta de ação desenfreada e não se importa com coerência, Velozes & Furiosos 6 provavelmente satisfaz. O filme cumpre o que promete ao entregar cenas de ação insanas e uma narrativa que, no fundo, é irrelevante. Ainda assim, fica claro que o foco está cada vez menos nos personagens e mais nas acrobacias impossíveis. A franquia virou uma marca de entretenimento “sem cérebro”, apelando para o público que só quer ver carros voando e explosões.
Em suma, Velozes & Furiosos 6 é um filme que faz jus à sua fama, mas não oferece muito além disso. Não é o pior da franquia, mas também não se destaca como um dos melhores. Ele entrega o espetáculo que seus fãs esperam, mas, para quem busca algo além de cenas de ação absurdas e diálogos rasos, pode deixar muito a desejar. A boa notícia é que, com o gancho deixado para a próxima sequência, é certo que mais absurdos nos aguardam em Velozes & Furiosos 7.
Então, prepare-se para mais uma volta, mas não espere profundidade ou realismo em nenhum momento. Como diria o próprio Dom Toretto, a família está de volta – mas a lógica foi deixada no retrovisor.





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