Com Velozes & Furiosos 5: Operação Rio, a franquia toma um novo rumo, afastando-se das corridas de rua que a tornaram icônica e apostando em um formato de filme de assalto. Justin Lin, que dirige a série desde o terceiro filme, eleva a ação a níveis ainda mais insanos, deixando de lado qualquer compromisso com as leis da física. A escolha é ousada e, em muitos momentos, divertida, mas ao mesmo tempo, revela um roteiro que depende de conveniências e exageros para manter o ritmo frenético.
O filme começa com uma cena que já define o tom irreal: o resgate de Dominic Toretto (Vin Diesel) de um ônibus penitenciário. Brian (Paul Walker) e Mia (Jordana Brewster) usam manobras de carro impossíveis para libertar Dom e, a partir daí, o trio se esconde no Rio de Janeiro. É aqui que o filme se transforma em um típico longa de roubo, com Dom, Brian e Mia recrutando uma equipe para roubar a fortuna de um poderoso traficante carioca, Hernan Reis (Joaquim de Almeida).
A transição de uma franquia focada em corridas para um filme de assalto pode surpreender alguns fãs, mas é uma mudança que faz sentido dentro da evolução dos personagens. Entretanto, essa nova direção também traz problemas. A ação exagerada e desrespeitosa às leis da física prejudica a suspensão de descrença. Em muitas cenas, o filme parece mais uma aventura de super-heróis do que um thriller de ação. Não é só que os personagens ignoram a gravidade, mas a própria lógica do mundo ao seu redor se adapta para que eles triunfem, independentemente do absurdo da situação.

O destaque de Velozes & Furiosos 5 é a introdução do agente Hobbs, interpretado por Dwayne Johnson. Sua presença física eleva o nível de intensidade do filme. O confronto entre Hobbs e Dominic, no meio da trama, é um dos momentos mais memoráveis, com ambos os personagens se enfrentando em uma luta brutal que é tão exagerada quanto o resto do filme, mas inegavelmente empolgante.
Apesar das suas falhas, o filme se sustenta por saber exatamente o que pretende entregar ao público: cenas de ação que desafiam o bom senso, com explosões e perseguições de tirar o fôlego. Para aqueles que buscam uma experiência de pura adrenalina, Velozes & Furiosos 5 é um prato cheio. No entanto, para os que esperam um enredo mais consistente, a superficialidade das motivações dos personagens e o roteiro cheio de atalhos podem deixar a desejar.
A maior sequência de ação, envolvendo dois carros arrastando um cofre gigantesco pelas ruas do Rio, é o ponto alto (e também o mais ridículo) do filme. Embora seja visualmente impressionante, essa cena desafia qualquer noção de lógica ou realismo. É uma mistura de adrenalina e humor involuntário, que pode tanto entusiasmar quanto alienar o público.

Outro ponto que merece destaque é a mudança no foco dos filmes. O enredo de Velozes & Furiosos 5 lembra mais filmes como Onze Homens e um Segredo ou Uma Saída de Mestre, com uma trama centrada na elaboração e execução de um grande assalto, em vez das tradicionais corridas. Isso dá à franquia um ar de renovação, mas ao mesmo tempo pode afastar fãs das raízes do que fez o sucesso original.
Com um final que claramente prepara o terreno para uma sequência, Velozes & Furiosos 5 cumpre seu papel de entretenimento escapista, mesmo que seu excesso de cenas desnecessárias faça o filme parecer mais longo do que deveria. A equipe, já familiarizada com o sucesso da fórmula, aposta em cada vez mais grandiosidade para prender o público, algo que pode se tornar insustentável em filmes futuros, mas que aqui ainda funciona, mesmo que de maneira superficial.
Em resumo, Velozes & Furiosos 5: Operação Rio é um filme que agrada pela ação desenfreada, mas que peca pela falta de substância. A diversão está garantida para aqueles que não se importam em deixar o cérebro no piloto automático, mas quem espera um roteiro mais robusto ou uma evolução significativa na narrativa da franquia pode sair decepcionado. A obra entrega exatamente o que promete: uma explosão de adrenalina que desafia a lógica e nos convida a apenas curtir o espetáculo visual.





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