Velozes & Furiosos 8

(2017) ‧ 2h16

13.04.2017

A fórmula explosiva de “Velozes & Furiosos 8”

Velozes & Furiosos 8 marca mais uma entrada na famosa franquia de ação, mantendo a tradição de cenas absurdamente exageradas, explosões espetaculares e uma trama que se distancia cada vez mais de suas raízes no mundo das corridas de rua. O que começou como um thriller de ação focado em adrenalina e cultura automotiva, agora se transforma em um verdadeiro show de pirotecnia, onde a lógica e o desenvolvimento de personagens são deixados de lado para dar lugar a uma avalanche de efeitos especiais e sequências impossíveis.

Desde o início, sabemos o que esperar de Velozes & Furiosos 8: um espetáculo visual cheio de ação desenfreada, carros turbinados e um enredo secundário que, francamente, importa muito pouco. A franquia, com o passar dos anos, se transformou em uma espécie de “desligue o cérebro e aproveite”. E, de fato, o filme entrega exatamente o que promete: uma montanha-russa de absurdos recheada de momentos de pura adrenalina.

A trama, centrada na traição de Dom (Vin Diesel) contra sua família, serve apenas como desculpa para cenas de ação cada vez mais impossíveis. Cipher, interpretada por Charlize Theron, é a vilã que manipula Dom para seus próprios fins, e o motivo por trás dessa traição é revelado de forma conveniente, mas sem grandes surpresas. Não há espaço aqui para questionamentos profundos ou desenvolvimentos dramáticos; tudo gira em torno de como se chegar a próxima grande cena de ação.

Enquanto assistimos à perseguição de carros em meio ao gelo ártico e submarinos saindo debaixo d’água para caçar os protagonistas, fica claro que Velozes & Furiosos 8 é, essencialmente, um desenho animado em live action. A ação é completamente exagerada e qualquer senso de realismo foi abandonado há muito tempo. Mas, para os fãs de longa data da franquia, esse é exatamente o charme: o absurdo é parte do apelo, e o filme abraça essa insanidade sem hesitação.

Os momentos de alívio cômico ajudam a manter o ritmo, especialmente com a química entre Dwayne Johnson e Jason Statham. As interações entre Hobbs e Deckard são algumas das melhores partes do filme, trazendo uma leveza necessária em meio a tanto caos. No entanto, apesar desses momentos de humor, o filme acaba se alongando mais do que o necessário. Com um tempo de execução excessivo, Velozes & Furiosos 8 cansa antes de chegar ao seu final.

Um dos grandes atrativos da franquia sempre foram as cenas de ação inovadoras, e neste capítulo não faltam momentos impressionantes. No entanto, sem a tensão ou o perigo palpável, essas sequências começam a perder o impacto após um certo ponto. Quando tudo é um espetáculo constante de destruição, a adrenalina se dilui e as cenas passam a parecer repetitivas.

O elenco faz o que pode com o material que tem. Vin Diesel entrega uma performance estranhamente apagada, quase como se estivesse em piloto automático. Talvez a ausência de Paul Walker tenha deixado um vazio difícil de preencher. Charlize Theron, por outro lado, se destaca como a vilã Cipher, embora seu papel se resume a manipular os eventos à distância, sem realmente se envolver nas lutas ou perseguições físicas.

No fim das contas, Velozes & Furiosos 8 não se preocupa com lógica ou coerência; sua missão é entreter a qualquer custo. E para quem procura ação desenfreada sem se importar com enredos complexos, o filme cumpre seu papel. A franquia já estabeleceu sua fórmula, e não há sinais de que isso vá mudar nos próximos capítulos.

Apesar de todos os exageros, Velozes & Furiosos 8 é um filme que sabe seu público e entrega exatamente o que eles esperam. Como um fast food cinematográfico, é saboroso no momento, mas pode deixar aquela sensação de “já vi isso antes” logo após os créditos finais. Para quem ainda não se cansou da fórmula, há muito a ser aproveitado. Para os que buscam algo mais substancial, talvez seja hora de procurar em outro lugar.

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AUTOR

Felipe Fornari

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