Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw

(2019) ‧ 2h17

01.08.2019

Ação sem limites: “Hobbs & Shaw” em alta velocidade

Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw se destaca por ser um spin-off que carrega o legado da franquia original enquanto tenta se estabelecer com uma identidade própria. Desde o início, o filme abraça sua conexão com a série Velozes & Furiosos, mas se afasta um pouco da dinâmica de carros e velocidade para focar mais no carisma dos protagonistas e em cenas de ação exageradas. Com Dwayne Johnson e Jason Statham no centro da trama, o filme mantém o humor e o estilo de ação já característicos da franquia, mas carece de um desenvolvimento mais significativo na história.

A química entre Johnson e Statham é o ponto alto do filme. Seus personagens, Hobbs e Shaw, têm uma rivalidade que lembra o clássico estilo de “parceiros forçados”, como visto em filmes como Máquina Mortífera. Embora a dupla passe a maior parte do tempo trocando provocações, há uma sensação genuína de camaradagem, especialmente quando Hattie (Vanessa Kirby), irmã de Shaw, entra na trama e equilibra a dinâmica. Kirby se sai bem ao lado de dois gigantes da ação, mostrando que sua personagem não é apenas uma coadjuvante, mas uma parte crucial da equipe.

O vilão Brixton, interpretado por Idris Elba, é introduzido como uma ameaça super-humana, um “super-homem negro” geneticamente modificado, o que adiciona um toque de ficção científica ao enredo. No entanto, apesar da performance sólida de Elba, seu personagem parece subaproveitado, com motivações genéricas que não elevam a trama a um nível mais envolvente. É uma pena que o filme não explore mais o potencial desse antagonista poderoso.

O excesso de cenas de ação, embora visualmente impressionante, pode acabar cansando. Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw é um exemplo de como, às vezes, mais nem sempre é melhor. A sequência de eventos é uma explosão constante de perseguições, lutas e explosões, com pouca pausa para o desenvolvimento de personagens ou construção de suspense. Embora as cenas de ação sejam bem coreografadas e cheias de adrenalina, o excesso acaba diluindo a tensão, deixando o filme com uma sensação de repetição.

A trama, que gira em torno de um vírus mortal escondido dentro do corpo de Hattie, segue a fórmula básica dos filmes de espionagem e ação. Há uma clara inspiração em filmes como 007 e Missão: Impossível, mas sem o mesmo nível de profundidade ou complexidade. O enredo é, em sua essência, uma desculpa para levar os personagens a diferentes partes do mundo e criar cenários para mais sequências de ação, com locais que vão de Londres a Samoa.

O diretor David Leitch, conhecido por seu trabalho em John Wick e Deadpool 2, traz seu estilo característico de ação para o filme, mas precisa suavizar a violência para se adequar à classificação indicativa. Isso cria um contraste interessante com seu trabalho anterior, onde a brutalidade das cenas de luta era mais explícita. Aqui, a ação é mais leve e menos impactante, o que pode frustrar aqueles que esperam algo mais intenso.

Entre as participações especiais, o filme surpreende com aparições de nomes como Kevin Hart e Ryan Reynolds, ambos trazendo momentos de alívio cômico que se encaixam bem no tom leve do filme. Helen Mirren também retorna como a mãe de Shaw, uma personagem divertida que, embora tenha pouco tempo de tela, consegue roubar a cena. Esses personagens secundários ajudam a dar um respiro à ação desenfreada, mas também reforçam a ideia de que o filme poderia se beneficiar de mais interações e menos pirotecnia.

No final, Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw cumpre o que promete: entretenimento leve e cenas de ação impressionantes. No entanto, a falta de um enredo mais substancial e o uso excessivo de sequências de ação podem deixar a experiência um pouco cansativa. O filme acerta em manter o humor e a química entre os protagonistas, mas não consegue atingir o mesmo nível de tensão e emoção dos melhores filmes de ação.

Para os fãs da franquia Velozes & Furiosos, Hobbs & Shaw é um complemento divertido, mas não tão memorável quanto alguns dos filmes principais. É um exemplo claro de como, apesar de todo o talento envolvido e da grandiosidade da produção, a fórmula “mais é melhor” nem sempre resulta em um filme mais emocionante.

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AUTOR

Felipe Fornari

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