Pânico tenta reviver a chama acesa em 1996, quando Wes Craven e Kevin Williamson reinventaram o terror adolescente com uma proposta meta e autoconsciente. Agora nas mãos de novos criadores, o filme aposta em uma mistura de reboot e sequência – ou “re-quel”, como os próprios personagens definem – que busca atualizar a fórmula sem perder o DNA do original. O problema é que, ao tentar fazer tudo ao mesmo tempo, o novo Pânico tropeça em suas próprias intenções.
O roteiro mira no espírito autoconsciente da franquia, mas exagera na dose. As referências constantes aos “clichês do terror”, às regras do gênero e até mesmo ao legado dos filmes anteriores acabam sufocando a narrativa. Ao invés de adicionar camadas, o excesso de metalinguagem enfraquece a imersão. A sensação é de que estamos assistindo a um comentário sobre um filme de terror, e não ao terror em si. Um pouco de ironia funciona; demais, vira distração.

Na tentativa de honrar o passado, o filme traz de volta os personagens clássicos: Sidney, Gale e Dewey retornam, mas de maneira pouco inspirada. As presenças são mais simbólicas do que narrativamente relevantes, e em vez de reacenderem o vínculo emocional com o público, apenas reforçam o quanto os tempos mudaram. O destaque acaba sendo David Arquette, que, mesmo com um personagem amargurado, entrega o desempenho mais envolvente do trio veterano.
O elenco jovem, por sua vez, oscila entre carisma e apatia. Jenna Ortega se sobressai nas cenas mais tensas, enquanto Melissa Barrera, que assume o protagonismo, tem dificuldade em sustentar os momentos de maior carga dramática. O roteiro também não ajuda, ao tratá-los como peças de um quebra-cabeça que precisa homenagear tudo o que veio antes. São personagens moldados por conveniências narrativas e não por desenvolvimento orgânico.
A abertura, que remete diretamente ao icônico prólogo do primeiro filme, até empolga. Mas a promessa de tensão não se mantém ao longo da trama. A revelação do assassino soa forçada, e a motivação – uma crítica às obsessões tóxicas de fãs e à cultura dos reboots – parece mais preocupada em parecer esperta do que realmente entregar impacto. A ideia até é interessante, mas a execução peca pelo tom excessivamente artificial.

Visualmente, o filme é competente. As cenas de perseguição são bem orquestradas, e há momentos em que a violência gráfica cumpre seu papel de chocar. Mas mesmo o gore parece seguir uma cartilha, como se os diretores estivessem mais preocupados em acertar nos acenos ao passado do que em criar algo memorável por si só. A trilha sonora e a montagem fazem o trabalho, mas sem brilho ou identidade própria.
No fim das contas, Pânico sofre do mal que assombra tantas franquias ressuscitadas: a tentativa de agradar a todos e a reverência excessiva ao próprio legado. É um filme que quer ser homenagem, sátira e renascimento ao mesmo tempo – mas acaba sendo só mais uma peça do ciclo infinito de nostalgia reciclada. O que antes era inovação agora soa como repetição, e o grito de Ghostface ecoa mais pela lembrança do que pela novidade.





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