Minha Melhor Amiga

(2026) ‧ 2h05

Uma viagem longa demais

Pedro Fonseca

“Julia e Clara decidem sacudir suas rotinas com uma viagem internacional, no entanto, o que elas não sabiam, era que suas férias trariam muito mais surpresas do que o esperado.”

Coescrito por Andrea Batitucci, Ingrid Guimarães, Luisa Capri, Mônica Martelli, Patrícia Leme, Susana Garcia, Tati Bernardi (Uma Mulher Sem Filtro), dirigido por Susana Garcia e estrelado por Mônica Martelli (Perrengue Fashion), Ingrid Guimarães (Fala Sério, Mãe!), Giulia Benite (Morando com o Crush), Gabi Amaral, Gustavo Machado (A Voz que Resta), Albano Jerónimo (O Pior Homem de Londres), Alejandro Albarracín, Ricardo Pereira (A Sogra Perfeita 2) e Michel Melamed, Minha Melhor Amiga é um filme brasileiro que mistura comédia, “buddy movie” ao road trip, e que tenta dialogar com um público muito específico.

Habitantes dos cantos europeus da internet, sejam bem-vindos a uma viagem de férias inusitada e repleta de revelações.

Alguns meses após as filhas das melhores amigas Julia e Clara partirem para Portugal, em uma espécie de intercâmbio, as duas, inquietas com a nova rotina, e frustradas com as suas realidades, decidem tirar umas férias na Europa, surpreendendo suas filhas, mas também dando uma reviravolta em suas vidas, sedentas por novas experiências e diversão.

Devido ao enfoque identitário, a obra é claramente direcionada para uma parcela do público feminino que seja capaz de se identificar com as protagonistas, e de maneira geral, por pessoas que reconheçam algumas situações mais abrangentes, e que tenham gosto por esse tipo de humor inusitado e de interpretação mais estridente.

É possível definir os cenários, a arquitetura europeia, as locações ímpares, e os planos abertos focados na natureza, como os pontos fortes da obra, pois proporcionam um filme belíssimo visualmente. Ainda que existam alguns cortes mal executados, e cenas em que o fundo é muito desfocado (escolha técnica para privilegiar os atores em cena, porém, que traz um tom genérico e que dispensa as qualidades do plano de fundo), de modo geral a fotografia e cinematografia são bem executadas.

Ainda que o estilo de atuação pessoalmente não me agrade, é inegável que a “química” entre as protagonistas funciona muito bem, pois, trazendo a dinâmica de sua amizade real fora das telas, elas permitem que a relação entre as duas seja mais natural, livre e com um tom improvisado.

Narrativamente é onde se encontram os principais problemas, é perceptível que a obra não possui material (história, trama e enredo) para as longas duas horas e cinco minutos de duração, proporcionando uma experiência arrastada e cansativa, que nunca alcança um ápice, e que dá muitas voltas até encontrar o seu desfecho. Ao meu ver, a mensagem que deveria ser de superação, – da mulher madura que busca se reencontrar e tornar-se a melhor versão de si mesma – somada à temática crítica social, se perdem, em última análise, justamente por não se sustentarem perante o culto ao hedonismo, que coloca a busca pelo prazer e a fuga do sofrimento como propósito principal. Ou seja, o próprio conteúdo da obra entra em conflito com aquilo que parece querer defender.

Além disso, a combinação de atuação exagerada ou espontânea demais, de vozes elevadas ou estridentes como se não houvesse mais ninguém ao redor, é um estilo presente em inúmeras produções cômicas brasileiras que me é demasiadamente incômoda, que me tira da imersão instantaneamente.

Minha Melhor Amiga é uma comédia ambiciosa, mas, que mesmo com os méritos visuais e a química do elenco, não consegue compensar uma estrutura narrativa incapaz de sustentar duas horas e cinco minutos de filme, claramente propondo mais do que sua narrativa é capaz de sustentar.

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