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Resenha: "X-Men: Dias de um Futuro Esquecido" - o melhor filme dos mutantes até aqui...




Livremente adaptado do clássico das HQ’s, escrito por Chris Claremont, o maior nome das histórias de X-Men, “Dias de Um Futuro Esquecido” reúne os personagens mais conhecidos na série cinematográfica (Wolverine, Professor X, Tempestade, Kitty Pryde, Homem de Gelo, Colossus e Magneto) com alguns novos membros (Bishop, Warpath, Mancha Solar e Blink) em um futuro distópico, onde os robôs caçadores de mutantes (Sentinelas) praticamente exterminaram os mesmos. Os poucos que sobram, são encarcerados em campos de concentração, juntamente com os humanos que os ajudaram.

A única maneira que os X-Men acham para derrotar as Sentinelas é enviar um deles telepaticamente para o passado, a fim de impedir o assassinato que pavimentou o caminho para o holocausto mutante. Os fãs mais entendidos saberão que, nos quadrinhos, é Kitty Pryde quem viaja no tempo a fim de alertar seus companheiros de equipe. No filme, o argumento inicial é que apenas o Professor X é um telepata forte o suficiente para fazer o trabalho, mas já que ele não pode suportar fisicamente uma “viagem” como estas quem é enviado é Wolverine, que pode se regenerar na mesma medida que sua mente é destruída no processo.




Ao acordar em 1973, em seu corpo mais jovem, Logan deve procurar Xavier, que se tornou uma versão fracote do homem conhecido em “Primeira Classe”. Depois de todas as perdas que o mesmo teve, ele passou a última década lastimando-se por não poder andar. Com a perda de seus poderes, o único que permaneceu a seu lado foi Fera, cujo milagroso soro faz Xavier recobrar suas pernas, mas também o faz perder seus poderes psíquicos. Mas Charles não vê problemas nisso, uma vez que assim não precisa ouvir as vozes e sofrimentos de todos ao seu redor, depois de ser deixado por sua irmã de criação Mística e seu amigo Magneto.

Nesse passado, Mística mostra-se a chave para mudar o futuro. Ela está numa empreitada para assassinar o Dr. Bolivar Trask, que inventou as Sentinelas e vêm fazendo experimentos com os mesmos. A fim de rastreá-la e evitar que o DNA dela seja implantado nas sentinelas para incrementá-las, tornando-as indestrutíveis, eles precisarão de Magneto e Peter Maximoff (o Mercúrio). A partir daí, o filme torna-se uma corrida contra o tempo para parar Mística, restaurar a esperança de Xavier e impedir que os X-Men do futuro sejam aniquilados.




Este enredo se baseia em muitos conceitos já utilizados em várias ficções científicas, mas mesmo assim parecem renovados ao serem utilizados por Brian Singer (que dirigiu o primeiro dos filmes da franquia 14 anos atrás). Ele e o roteirista Simon Kinberg conseguem equilibrar os elementos com relativa pouca confusão e no processo tentam minimizar os vários furos que a franquia foi criando em sua cronologia ao longo de suas continuações.

Como aconteceu no reboot de J.J.Abrams para “Star Trek”, o filme dá a cada um de seus personagens algum momento importante. É muito inteligente, também, a forma como o filme conseguiu dar ainda mais destaque para as maiores estrelas do momento, principalmente Jennifer Lawrence (que ganhou um Oscar recentemente e chama muita atenção com sua atuação em “Jogos Vorazes”), mas sem deixar o elenco antigo de lado, criando uma visão saudosista sempre que os mesmos estão em tela.




Mas a maior surpresa do filme é, na verdade, o personagem que era o mais mal falado na internet durante a produção do longa: Mercúrio. Sim, Mercúrio é incrível, e na sua única cena ele nos faz babar com os efeitos da sequência. E isso é mais um exemplo de que não devemos julgar um livro pela capa.

As sequências de ação do filme num todo são extremamente bem arquitetadas e envolventes. Singer não se perde nesses momentos e o espectador sabe o que está acontecendo em cada uma das batalhas, mesmo estando povoada de mutantes e diferentes poderes.




“Dias de um Futuro Esquecido” não trás nada de novo ao gênero dos quadrinhos. Mas é um filme sólido e comprometido com sua própria franquia. Resolve os problemas deixados nos longas anteriores e cria brechas para um futuro brilhante. O filme permite que a série seja redefinida e levanta grandes questões de para onde X-Men, passado e futuro, podem ir a partir daqui.

O Veredicto
“X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” é o filme mais ambicioso dos mutantes no cinema e também o mais bem realizado.



Resenha: "Capitão América 2 - O Soldado Invernal" sedimenta o herói e o universo cinematográfico Marvel



Capitão América 2 - O Soldado Invernal, a continuação da história do Sentinela da Liberdade nos cinemas, estreia no Brasil no dia 10 de abril. E, olha, talvez seja a produção mais bem-sucedida como filme solo dentro da grande história que vem sendo contatada pelo Marvel Studios até agora: tem história de guerra, espionagem, ação de filmes policiais como dos anos 70 e, claro, a ficção científica e fantasia sempre presente nas revistas da Casa das Ideias. De quebra, o longa estabelece melhor o personagem e o próprio universo cinematográfico Marvel nos cinemas.

O filme acerta em quase tudo e o roteiro da dupla Christopher Markus eStephen McFeely consegue unir as principais ideias dos melhores arcos do personagem nos quadrinhos nas últimas décadas, com uma atualização pra lá de convincente. Pra começar, o contexto: o que um soldado como o Capitão América, deslocado de seu tempo, pode chamar de América nos dias de hoje? E pelo que, contra quem ele lutaria?



Bem, após os eventos do primeiro Capitão América: O Primeiro Vingador, muita coisa aconteceu. Não é exatamente necessário ter acompanhado todos os filmes, mas nada foi ignorado e conhecer a história até aqui ajuda a aproveitar melhor o longa. Desde a primeira aventura de Steve Rogers (Chris Evans), o Marvel Studios lançou Os Vingadores (2012), Homem de Ferro 3 (2013) e Thor: O Mundo Sombrio (2013) e estão agendados ainda na chamada “Fase 2” Os Guardiões da Galáxia (2014) e Os Vingadores: A Era de Ultron (2015). Homem-Formiga (2015) e Doutor Estranho (sem data definida) inauguram a Fase 3. Lembrando que anteriormente, já chegaram às telonas Homem de Ferro (2008), O Incrível Hulk (2008), Homem de Ferro 2 (2010) e Thor (2011).



Pois bem, Capitão América ainda não consegue dividir sua vida pessoal da “profissional” e atua como um agente especial da SHIELD. E é justamente em uma dessas missões é que o herói começar a questionar a organização, já que ações de Natasha Romanoff, mais conhecida com a Viúva Negra (Scarlet Johansson), evidenciam a existência de uma “agenda própria”. Paralelamente, Rogers desenvolve aos poucos amizade com outro ex-veterano de guerra, Sam Wilson (Anthony Mackie).

Ao encarar Nick Fury (Samuel L. Jackson) e o chefão da SHIELD, Alexander Pierce (Robert Redford), para saber mais sobre suas missões, Rogers começa a ser perseguido e vê o próprio Fury em perigo. E aí começa a ação que não para mais até o último minuto do filme – inclusive depois, com direito a duas cenas extras após os créditos, portanto, fique na poltrona após a exibição.



A trama é especialmente muito boa porque, desde o primeiro filme, há essa intenção de tirar o ranço ultrapatriota que sempre acompanhou o personagem e afasta parte do público. O Capitão América não está lutando somente pelos Estados Unidos – pelo contrário, no longa anterior e neste, ele sempre está questionando as atitudes do próprio país – e sim pela liberdade e justiça.



A caracterização do mundo em que Capitão América luta é uma grande sacada dos diretores Anthony e Joe Russo. Há uma constante incerteza de quem está do lado certo, da paranoia no melhor estilo 1984, da vigilância constante. É o “ground level” do Marvel Studios, um lado bem mais realista e obscuro que os outros cantos mostrados até agora. Saem os heróis coloridos e entram as conspirações e vilões impiedosos, que se levam realmente a sério e têm motivações verossímeis.

Um desses vilões é justamente o Soldado Invernal – que muitos já sabem de antemão a conexão com o protagonista – e seu papel em um esquema muito maior. O que se vê então é Capitão América usando seus aliados, o Falcão e Viúva Negra, contra um plano diabólico que envolve a própria SHIELD e seu passado.



Em termos técnicos, há ação pra tudo quanto é gosto: vemos o Capitão fazendo infiltração em grande estilo, esbanjando pancadaria e efeitos especiais convincentes. Perseguição com veículos, cenas aéreas, mais pancadaria e, principalmente, muita porrada com o escudo, o verdadeiro e fiel amigo de Rogers. Também há muito espaço para as habilidades de Natasha e Wilson. A trilha sonora mantém o constante clima de tensão, tanto é que nos créditos há apenas duas canções, o restante são “músicas” para manter o ambiente nessa atmosfera.



O desenvolvimento dos personagens é muito bom. Todos estão muito à vontade em seus papeis, com destaque para o próprio Evans, Johansson e, especialmente, Mackie, que caiu como uma luva no Falcão. Há muitos diálogos, que, apesar de rápidos e simples, acrescentam muito à personalidade de cada um, principalmente quando eles trazem à tona a característica essencial das revistas e dos filmes Marvel, o humor.

Redford também dá o ar setentista à película e faz o papel perfeito de burocrata e líder. Sobra um até um cantinho para Emily VanCamp no papel da Agente 13 e também para Cobie Smulders e Hayley Atwell, que reprisam seus os papeis de Maria Hill e Peggy Carter, respectivamente.



Com relação ao universo cinematográfico Marvel, esta sequência faz tudo o que faltou a Homem de Ferro 3 e Thor: O Mundo Sombrio: a cada meia hora há alguma menção aos outros heróis – seja o Homem de Ferro, o Hulk e até mesmo um outro personagem que não vinha sendo citado até agora e deve ser uma surpresa para os fãs. Rostos conhecidos da série Agents of SHIELD também estão ali, assim como eventos da tevê. E até mesmo o papel de Peggy Carter, cogitada para ter uma série própria, é revelado, o que justifica (e bem) a vontade da Casa das Ideias em desenvolver melhor a heroína em outra mídia.

As homenagens aos quadrinhos estão em toda a parte (conto aqui neste post algumas das ligações e easter eggs que identifiquei) e a sensação que temos é a de que o Marvel Studios conseguiu concretizar o Capitão América como o herói que será a referência para o futuro de suas outras histórias.

Obviamente, o filme conta com alguns clichês (como os heróis que têm aparência de vilão e depois se mostram realmente vilões e vice-versa), algumas sequências de ação mentirosas e uma certa pieguice desnecessária no final. Porém, essas “falhas” chegam a ser tão irrelevantes que podemos chamar de “charme” do universo Marvel.

VEREDITO: Se é preciso caminhar antes de poder voar, Capitão América: O Soldado Invernal conquista sua base na Terra e mostra o universo cinematográfico Marvel em sua melhor forma, antes de ir para o espaço. Se alguém não gostava do Capitão América e não sabia porque ele é tão foda, pode tratar de engolir as palavras a partir de agora.


Resenha: "Rio 2 - Um cartão postal do Brasil"




Como diz a música: o Rio de Janeiro continua lindo, e o visual de “Rio 2”, sequência do longa de 2011, também. Não leva quatro minutos para “Rio 2” se diferenciar totalmente do que o estúdio fez em todos “Era do Gelo”. A floresta atlântica que ainda resta no Rio de Janeiro aparece cheia de papagaios, macacos, cacatuas e tucanos, cantando e dançando um samba em uma sequência colorida de voo.




É a partir daí que o show visual começa. Piadinhas bem colocadas, coloridos de tirar o fôlego e uma animação com texturas que se assemelham ao realismo das melhores paisagens brasileiras. “Rio 2” é, até aqui, o trabalho da Blue Sky com maior possibilidades de ser comparado com o estilo Pixar de ser.




O filme continua cheio de mensagens ecológicas e politicamente corretas. Deixamos a crítica sobre o comércio ilegal de animais de lado, e vemos um pouco sobre o desmatamento ilegal da Amazônia. Passamos ainda por uma jornada existencial de Blu tentando aceitar sua nova situação perante o pai de Jade. Fica aí a única falha do filme. Entrelaçar tudo isso, em meio a alguns números musicais, trouxe uma sensação de urgência e faltou um pouco de desenvolvimento do roteiro para dar uma maior fluidez as passagens das situações.




Mas em tempos de Copa do Mundo, “Rio 2” pode ser usado como um belo cartão de visitas do nosso país. Vamos do Rio à Ouro Preto, passamos por Brasília e Salvador, chegando então à Manaus. Mostramos (mesmo que seja somente em uma animação) que o Brasil não é somente carnaval. Embora os inúmeros musicais ao longo do filme descordem um pouco disso.



Perspectiva ateniense da guerra decepciona em "300 – A Ascensão do Império"



Em cartaz nos cinemas de todo o País desde o último final de semana a sequela 300 – A Ascensão do Império, que aborda novamente a histórica Batalha de Termópilas na guerra entre gregos e persas. Desta vez, porém, o espectador fica com a perspectiva ateniense do confronto.

Antes de mais nada, é bom lembrar porque é que essa continuação acontece, muito por causa do relativo sucesso do primeiro filme. 300 vem dos quadrinhos homônimos de Frank Miller, que interpretou à sua maneira a Batalha de Termópilas, oferecendo uma narrativa gráfica inteligente, sedutoral e visceral, assim com mais carisma ao rei Leônidas, protagonista da história sobre 300 soldados que resistiram bravamente a uma grande investida persa, cortesia do imperador Xerxes.



O primeiro longa foi bem-sucedido porque Zack Snyder pensa como um designer e tem grande apego pelas imagens e grafismos. Além do que, compreende a linguagem dos quadrinhos. Somado a isso, ele é de uma geração de diretores que produzem rapidamente e conseguem bons resultados com poucos recursos, a exemplo de Robert Rodriguez e Guillermo Del Toro.



O resultado foi um filme bom, uma adaptação à altura, com efeitos, cores e estilo que traduziram bem os quadrinhos nas telonas. A boa atuação de Gerard Butler - que imortalizou o berro “This is Sparta!” - também deve ser levando em consideração, pois assegurou mais carisma ainda a Leônidas. 300, que custou US$ 65 milhões, arrecadou mundialmente nos cinemas US$ 210 milhões e era de se esperar que uma sequência fosse produzida.



Dito isto, a comparação com o primeiro filme é inevitável. Este 300 – A Ascensão do Império conta então a mesma Batalha de Termópilas, mas vista pelo outro lado, pelo mar, afinal a investida persa aconteceu simultaneamente por terra e água. Sai Leônidas e entra Temístocles (Sullivan Stapleton) diante de Artemísia (Eva Green) e Xerxes (Rodrigo Santoro) ao fundo.



Logo no início é possível reconhecer os efeitos e o tipo de narrativa herdada do filme anterior, pois Snyder, mesmo não sendo o diretor da continuação, foi um dos produtores desta sequência. Então, a já conhecida ultraviolência estilizada e aquela narrativa com momentos de pausa e impacto impressionam, mais uma vez. Acredito que houve até um cuidado maior com relação ao som, tanto na trilha quanto nos efeitos sonoros. Achei os momentos de ação mais impactantes devido a isso. (Nota: a sessão que acompanhei foi num IMAX, não sei se em outras projeções há esse mesmo impacto).



Em seguida, a história já dá o tom de vingança ao filme: ao final da Batalha da Maratona, Temístocles assassina Dario, o pai de Xerxes, o que ocasiona uma interessante história sobre o nascimento do deus-rei. Porém, essa história é deixada de lado para dar mais destaque a Artemísia, uma grega rebelada.

Aí é que começam os problemas: Artemísia é uma clara criação de uma antagonista para Temístocles (uma “fêmea alfa” entre tantos “machos alfa”). Seu comportamento ao longo do filme, porém, é um tanto duvidoso, inverossímil para aquele contexto. Quando ela ganha motivações suficientes, os roteiristas decidem então “justificar” os outros personagens.



Temístocles, para não se passar por “banana” em comparação com Leônidas, ganha mais uma história de vingança em seu grupo, com uma história paralela de pai e filho. Todos esses “atos nobres” justificados com roteiro preguiçoso, personagens sem carisma e atuações apenas regulares, transformam então o restante da história previsível demais, a ponto de deixar o deleite visual insosso.



Uma das coisas que poderiam ser legais no filme foi justamente a que foi limada por responsabilidade de Frank Miller: o autor está em atraso (devido a compromissos com Sin City 2, em breve nas telonas também) com a minissérie que conta a transformação de Xerxes no deus-rei. Duas edições das cinco prometidas foram lançadas e a história deveria estar completa e lançada com 300: A Ascensão do Império. Se eles utilizassem justamente essa história que não foi lançada a tempo como parte do longa, talvez tivesse tido mais sucesso.

VEREDITO: Sexo e violência, sequências estilizadas com som de primeira, soldados homoeróticos e cenas quentes com Eva Green, coadjuvantes descartáveis, rei sem carisma e desfecho previsível.


Matéria: O Mundo Globalizado do Cinema de Espionagem, por Marden Machado




O MUNDO GLOBALIZADO DO CINEMA DE ESPIONAGEM

Assim como a Segunda Guerra Mundial gerou para o cinema uma infinidade de filmes tendo os nazistas como vilões, a Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética (atual Rússia), ajudou a criar o que conhecemos hoje como “filme de espionagem”.

Esse tipo de filme tem um formato próprio, que, apesar de guardar semelhanças com os filmes de ação e de suspense, destaca-se por conta de alguns elementos bem específicos: tramas intricadas e cheias de reviravoltas, locações em diferentes partes do mundo, um agente/herói que luta quase sempre sozinho contra o inimigo e, este inimigo costuma representar, invariavelmente, uma ameaça global.



Se analisarmos a produção cinematográfica dos anos 1940, encontraremos em O Terceiro Homem, de 1949, filme dirigido por Carol Reed, estrelado por Orson Welles e com roteiro de Graham Greene, um dos primeiros exemplares do gênero. Da mesma forma, dois filmes de Alfred Hitchcock realizados nos anos 1950 também são ilustrativos desse gênero em formação: O Homem Que Sabia Demais, de 1956 e, principalmente, Intriga Internacional, de 1959.

Ao longo da década de 50 do século passado, o cinema americano utilizou a tensão provocada pela Guerra Fria em filmes de ficção-científica que, através de metáforas, transformavam a “ameaça comunista” em “invasão alienígena”.

O cinema de espionagem como nós o conhecemos hoje surge no início dos anos 1960, mais precisamente em 1962, com o lançamento de dois filmes: Sob o Domínio do Mal, de John Frankenheimer e o primeiro filme de James Bond, 007 Contra o Satânico Dr. No, de Terence Young.



Criado pelo escritor Ian Fleming, James Bond é um agente do Serviço Secreto britânico e o “00” antes do número “7” indica que ele tem licença para matar. A personagem foi interpretada no cinema por sete atores: Sean Connery, George Lanzeby, David Niven (em uma comédia que não é considerada parte da cronologia oficial), Roger Moore, Timothy Dalton, Pierce Brosnan e Daniel Craig.

Outro filme importante dos primeiros anos do gênero é O Espião Que Saiu do Frio, de Martin Ritt, realizado em 1965 e baseado em um livro de John Le Carré, um escritor que teve quase todos seus livros de espionagem adaptados para o cinema, da mesma forma que outros autores como Graham Greene, Frederick Forsythe, James Grady, Robert Ludlum e Tom Clancy. Principalmente durante os anos de 1970 e a primeira metade dos anos 1980, em filmes como: O Dia do Chacal (1973 – Fred Zinnemann), O Dossiê Odessa (1974 – Ronald Neame), Três Dias do Condor (1975 – Sydney Pollack) e O Documento Holcroft (1985 – John Frankenheimer).

Com o fim da Guerra Fria 20 anos atrás, Hollywood perde seu principal vilão e o gênero perde o rumo. Alguns poucos filmes são produzidos, mas, não empolgam como antigamente. Três exemplos: Três exemplos: Em 1990, A Casa da Rússia, de Fred Schepisi com Sean Connery e Michele Pfeiffer no elenco; ainda no mesmo ano, Caçada ao Outubro Vermelho, de John McTiernan com Sean Connery e Alec Baldwin; e em 1991, Companhia de Assassinos, com direção de Nicholas Meyer estrelado por Gene Hackman e Mikhail Baryshnikov.



Em todos eles temos novamente agentes da CIA, da KGB e de outras siglas em ação. Os elementos clássicos do gênero ainda estavam presentes, mas, o mundo havia mudado e a situação perdura por toda a década de 1990.

Em 2001 são lançados dois filmes que conseguem chamar novamente a atenção para o gênero: O Alfaiate do Panamá, de John Boorman - estrelado por Pierce Brosnan e Geoffrey Rush e Jogo de Espiões, de Tony Scott, com Robert Redford e Brad Pitt. Mas é somente a partir de 2002, com o lançamento de A Identidade Bourne, dirigido por Doug Liman, estrelado por Matt Damon e com roteiro de Tony Gilroy (inspirado na personagem criada por Robert Ludlum) que o gênero se reinventa.

Jason Bourne é um agente secreto desmemoriado que luta contra todos que aparecem em sua frente e tem um único objetivo: descobrir quem ele é realmente. Apesar de o primeiro filme da trilogia Bourne ser muito bom, o mais interessante é que é a partir do segundo, A Supremacia Bourne, de 2004, e principalmente do terceiro, O Ultimato Bourne, de 2007, ambos dirigidos por Paul Greengrass, que o cinema de espionagem ganha um novo fôlego definitivo.



Em 2005, o brasileiro Fernando Meirelles (Cidade de Deus e Ensaio Sobre a Cegueira) recusa um convite para dirigir um filme do agente 007 e aceita ir para a África realizar O Jardineiro Fiel, adaptação de mais um livro de John Le Carré e que tem como vilões a indústria farmacêutica e os governos do Quênia e da Inglaterra.

Chegamos então ao filme do alemão Tom Tykwer, Trama Internacional. O inimigo agora é um grande banco, o BCCI, que estaria por trás de operações ilegais envolvendo a compra de armas. O agente da Interpol Louis Sallinger, vivido por Clive Owen (que por sinal esteve recentemente em um outro filme, Duplicidade, que “brinca” com os clichês dos filmes de espionagem) é um obcecado em desmascarar as operações do banco.



Os elementos tradicionais do gênero estão presentes em Trama Internacional, de 2009. A ação começa em Berlim, depois passa por Nova York, Lyon, Luxemburgo e termina em Istambul. É possível perceber no filme de Tykwer influências hitchcockianas, porém, a principal delas vem da trilogia Bourne.

O próprio James Bond, por influência do novo ritmo imposto pelos filmes de Jason Bourne, foi inteiramente repaginado em Cassino Royale, de 2006, dirigido por Martin Campbell e que marcou a estréia de Daniel Craig na pele de 007. A nova postura do agente com licença para matar foi mantida em 007 - Quantum of Solace, dirigido em 2008 por Marc Forster, e conseguiu se renovar por completo em 2012, com 007 – Operação Skyfall, de Sam Mendes, feito para celebrar os 50 anos da personagem.



E fechando o lote de filmes, uma boa surpresa terminou surgindo de uma mistura improvável. Poderia um diretor sueco dirigir uma trama tipicamente inglesa? Isso aconteceu em 2011, quando Tomas Alfredson realizou O Espião Que Sabia Demais, adaptado da obra de John Le Carré.

A história se passa no início dos anos 1970, ainda no auge da Guerra Fria entre americanos e soviéticos. George Smiley (Gary Oldman), um ex-agente do alto escalão do Serviço Secreto Britânico, é convocado para descobrir a identidade do agente duplo que vem passando informações para o inimigo. Se estabelece então um jogo de gato e rato, cheio de suspeitos e de pistas falsas. Alfredson, fiel ao estilo dos filmes realizados na época em que se passa a trama, imprime uma cor chapada e de aparência velha, o que ajuda sobremaneira a entrarmos no clima proposto pela investigação de Smiley.

Enquanto existirem superpotências, ameaças nucleares e ações terroristas, haverá sempre boas histórias a serem contadas e espiões e agentes secretos, duplos ou não, para fazerem parte delas.

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Marden Machado
Especial para Quadro por Quadro

Resenha: 'As Aventuras de Peabody e Sherman' - Selo de qualidade DreamWorks




“Todo cão deve ter um menino” diz, de forma séria, um cão pequeno de óculos e gravata. Essa é uma das falas inteligentes de Senhor Peabody, um dos protagonistas da nova animação da Dreamworks “As Aventuras de Peabody e Sherman”, dirigido pelo experiente Rob Minkoff, que já dirigiu O Rei Leão e O Pequeno Stuart Little.

Baseado na animação para a TV americana, exibida entre os anos 50 e 60, “As Aventuras de Peabody e Sherman” é sobre um pequeno cão, que se sentindo estranho e diferente desde filhote, decide se dedicar aos estudos. Ignorado cada vez mais por crianças - preste atenção em um ótima cena onde ele questiona a brincadeira clássica com a bolinha - ele decide que vai se virar sozinho. Já adulto e renomado pelos seus feitos em vários campos do saber, ele encontra um bebê abandonado em uma caixa na rua, decidindo adotá-lo e dar-lhe o que acredita ter de melhor: o seu conhecimento.




Educando o pequeno Sherman em casa, até que chegue a idade de ir para a escola, Peabody apresenta ao garoto um mundo maravilhoso através de um de seus maiores inventos: uma máquina do tempo. Com ela, Peabody e Sherman podem presenciar de perto a história da humanidade e inclusive conviver e dialogar com os protagonistas de cada período. Graças às viagens no tempo o garoto acaba se destacando nas aulas da escola, provocando a ira da pequena Penny, uma garotinha bastante temperamental e pouco acostumada a perder, que não vai sossegar até entender como Sherman sabe tanto.




“As Aventuras de Peabody e Sherman” mantém o ar dos desenhos animados clássicos. Mesclando informações sobre história, literatura, arte e ciências, o longa não deixa de divertir os pequenos e os adultos que gostem de animação. A forma como a história é mostrada, ora com tons de ironias e bom humor, ora com detalhes informativos, é outro ponto alto do longa. Ainda há a relação do cão com o menino; em um dos primeiros conflitos que Sherman se envolve na escola, os colegas o discriminam por ser o filho adotivo de um cão, e o acusam de ele ser apenas um animal. A provocação sofrida por Sherman na escola traz à tona um problema que pode ser muito bem encontrado fora da animação, se tratando sobre os novos modelos familiares. A princípio o garoto tem uma reação de negação, mas com o passar do longa assistimos a aceitação do conceito de família, importando apenas que Mr. Peabody esteja presente na vida de Sherman.




Assistindo no YouTube alguns episódios disponíveis da série originária “Peabody's Improbable History” (algo como ‘A História improvável de Peabody’), marcados pelo inteligente uso de referência e alusões ao mundo pop e identificações tanto do universo das crianças como dos adultos, é visível que a animação dos anos 60 tenha sido grande influência para desenhos animados como Os Simpsons, de Matt Groening, por exemplo. E o longa se mantém fiel à forma como se dão as viagens no tempo, inclusive as questões físicas, não deixando os fãs de ficção científica na mão.




A direção de arte de “As Aventuras de Peabody e Sherman” retrata de maneira cômica e, em muitas situações, inusitada, os personagens e contextos históricos. Preste atenção na antiga Grécia e no Cavalo de Troia, ou ainda nas esfinges egípcias, provavelmente você verá a História de outra forma. A animação mantém o selo de qualidade já conhecido da Dreamworks. Por isso mesmo, o uso da tecnologia 3D não se justifica, já que não há nenhuma manobra de direção que torne os efeitos relevantes.




Mesmo que “As Aventuras de Peabody e Sherman” seja uma animação baseada em outros roteiros originais, continua mantendo uma magia de descoberta da sua época de origem, inclusive em épocas que a informação está apenas a um clique de alcance, garanto que adultos e crianças vão sair do cinema sabendo - e rindo - muito mais.

Nota 8



Resenha: 'Robocop' de José Padilha - Sem personalidade




José Padilha segue o caminho de outros diretores brasileiros de sucesso e adentra o mercado internacional com um produto sem qualquer traço de personalidade ou ousadia.

A exemplo de seus conterrâneos Fernando Meirelles (que dirigiu o ótimo O Jardineiro Fiel e o regular Ensaio Sobre a Cegueira) e Walter Salles (do pavoroso Água Negra e do subdesenvolvido On the Road), Padilha ganhou bastante reconhecimento, sem falar nos rios de dinheiro, com os dois Tropa de Elite. Ainda que ideologicamente perigosa, a trajetória do Capitão Nascimento (no papel mais emblemático da carreira de Wagner Moura) esbanjava qualidades cinematográficas e foram estas qualidades que chamaram a atenção do mercado norte-americano.




Infelizmente, o projeto dado ao diretor nunca pareceu dos mais empolgantes: uma refilmagem do clássico Robocop dos anos 80, filme ágil e inteligente, reconhecido até hoje pelo alto grau de violência, marca registrada do diretor holandês Paul Verhoeven (outro talento importado por Hollywood).

A premissa básica continua a mesma: um policial perde quase todas as funções do seu corpo num atentado contra sua vida, mas ganha uma "segunda chance" ao ser transformado numa espécie de robô humanóide programado para lutar contra o crime.




Qualquer tipo de conflito humano e ético, que poderiam acrescentar peso à narrativa, é deixado de lado em nome da ação. Infelizmente, estes momentos não trazem nada de novo para um público já tão acostumado com Iron Man. Depois de bocejar na sequências supostamente eletrizantes do longa, sobra pouca coisa para entreter o espectador.

Não sei quanta liberdade foi dada ao diretor e por isso mesmo fica difícil apontar dedos. Salvam-se aqui os bons efeitos especiais (uma cena em particular parece ter saído de um pesadelo bio-mecânico) e os sempre ótimos Gary Oldman e Samuel L. Jackson.

Em caso de dúvida, opte por ver (ou até mesmo rever) o original.

Nota: 4,0