Resenha: O trailer de "Drácula - A História Nunca Contada" era melhor do que o filme em si



Em se tratando de filme de vampiro, se o fator de comparação for a saga Crepúsculo então Drácula: A História Nunca Contada é um bom filme. Mas se a comparação for com Entrevista com Vampiro ou Deixa Ela Entrar, o filme tem muito com que aprender.



Drácula é exatamente o que foi vendido no trailer: um visual arrebatador, efeitos estupendos, figurino e direção de arte dignos de Oscar e cenas de ação grandiosas. Nada diferente do que se espera de um blockbuster do gênero. Mas só o trailer já é melhor em qualidade do que o produto final.



A ideia é humanizar o "vilão" como fizeram com Malévola. Mas há uma grande diferença na trajetória de ambos, afinal Malévola tem a intenção de ser um filme infantil. Drácula, por sua vez, deveria almejar um pouco mais de sangue e sedução, que são os principais elementos de filmes do gênero.



O diretor tem um bom elenco em cena, mas subaproveita os mesmos com uma série de diálogos piegas e erra a mão ao cortar as cenas de ação tão freneticamente (para não mostrar sangue) que não nos deixa entender em alguns momentos o que está acontecendo na sequência em tela. Além disso, o vilão de Dominic Cooper não convence.



Talvez um diretor mais experiente não se deixasse levar pelas decisões do estúdio e conseguiria mascarar melhor as falhas do filme.

Em dado momento Drácula diz que em certas situações as pessoas precisam de monstros ao invés de heróis. No caso desse filme, nem um herói o salvaria do fracasso. Seria esse o começo do universo cinematográfico de monstros almejado pela Universal?



Resenha: "O Juiz" se aproveita do talento de Robert Downey Jr. e Robert Duvall



O ressurgimento da carreira de Robert Downey Jr tem sido tremendamente prolífico. Sem o ator, não teríamos o irônico e carismático Tony Stark e sem Tony não haveria um Universo Cinematográfico Marvel, que tem, sempre, gerado frisson entre os fãs de quadrinhos. Sem o retorno de Downey Jr também não teríamos nem Trovão Tropical, nem Sherlock Holmes e muito menos O Solista (o papel mais sério do ator nessa leva).



O melhor no drama de David Dobkin é, justamente, contrapor a interpretação carismática de Downey Jr com a interpretação canastrona de Robert Duvall. Downey Jr interpreta um advogado de cidade grande, famoso por defender criminosos culpados e Duvall interpreta seu pai, juiz que vive numa pequena cidade, e é cheio de princípios e valores que seu filho não entende. É quando a mãe do personagem de Downey Jr morre que os dois personagens terão de conviver.

Até essa premissa, o filme seria apenas mais um drama familiar. Mas quando o pai atropela (e não se lembra de nada do ocorrido) um dos seus antigos condenados, é que ambos terão de deixar as diferenças de lado e o filme parte para o lado do tribunal, como muitos filmes antes dele.



Subtramas permeiam o filme e ao longo dos seus 141 minutos não nos perdemos. A edição é concisa e clássica. Mas qualquer outro editor teria medo de lidar com histórias fora do núcleo pai/filho, o que não é o caso de Mark Livolsi. Ele não tem medo das subtramas que acompanham os personagens principais.



Quanto ao roteiro, fica difícil descobrir o que foi escrito e o que foi improvisado. Downey Jr é famoso por trabalhar melhor no improviso. E mais uma vez ele acerta. E são nas cenas entre ele e Duvall que eles ganham vida e há uma ou duas cenas de tamanha honestidade emocional que você dirá que ambos estão nessa relação a vida inteira.



O Juiz é um filme de atores. Um drama de tribunal escondido em um drama doméstico que faz extremo bom uso de seus atores. E graças a um bom roteiro, um bom timing e uma equipe compromissada com a história, ele deve figurar entre uma ou outra indicação em premiações.



Resenha: "Relatos Selvagens" retrata o comportamento humano com muito humor negro.



O diretor/roteirista argentino Damian Szifron, no seu filme Relatos Selvagens, nos presenteia com uma série de seis curtas onde a natureza humana é mostrada da maneira mais selvagem possível (fazendo referência direta ao título). Nessas seis histórias, os humanos são transformados em animais, e com o calor do momento de cada uma das situações, é impossível não se identificar com algum dos personagens. A não ser, é claro, que você viva em um comercial de margarina onde tudo é perfeito.



Como em todas as antologias de curtas, alguns capítulos são melhores que outros. Não há conexões entre as histórias, mas, em geral, o tema e humor negro são os mesmos. A história antes dos créditos iniciais traz o tom das demais, e não é com surpresa que vemos o nome de Pedro Almodóvar como um dos produtores do filme.



Relatos Selvagens bebe na fonte do cinema surrealista de Almodóvar, traço que lhe caiu tão bem ao longo de toda sua carreira. Dito isto, a sequência inicial dessa produção causa mais risos do que os longas recentes do diretor espanhol.



Os “relatos” são diversos. Vemos uma briga cheia de raiva que começa de maneira tão banal numa estrada, um pai que coloca sua vida em risco por causa de uma multa de estacionamento, um casamento infeliz, uma garçonete reencontrando um velho conhecido e um segmento focado num adolescente bêbado que mata uma grávida atropelada. Cada sequência leva seus personagens ao limite. Todos acabam por perder o controle de suas vidas - e falando de maneira sádica, quem nunca passou por uma situação fora de controle?



Há tempos não tínhamos uma comédia de humor negro como essa. Enlouquecida, surreal e absolutamente hilariante (no sentido negro da palavra). O diretor dá um tom consistente ao longa, e com um elenco brilhante acompanhamos as conseqüências obscuras de situações cotidianas que tendemos a não acreditar que estamos vendo no jornal. No fim das contas, acredite, você nunca mais irá brigar com outro motorista no trânsito.



Resenha: "Festa no Céu" tem um visual bastante colorido e brinca com lendas mexicanas



Não será surpresa se após o lançamento de Festa no Céu alguma editora lançar um livro pop-up do filme (daqueles que as páginas se transformam em figuras de papel). O novo filme dirigido por Jorge R. Gutierrez e produzido por Guillermo Del Toro (Labirinto do Fauno) brinca com a lenda mexicana que envolve o dia dos mortos. O filme tem um visual deslumbrante e vibrante para uma história formuláica e nada inventiva, mas que consegue deixar de lado esse problema com uma atmosfera encantadora que te joga em um mundo fantástico, ou nesse caso, três mundos.



O filme começa com uma guia de museu atrevida que recebe um grupo de crianças bagunceiras para uma visita. Ela vai contar a história do triângulo amoroso entre Maria e seus dois pretendentes: Manolo, descendente de uma longa linhagem de toureiros, mas que realmente quer ser um cantor/guitarrista; e Joaquin, um herói militar que pavoneia por aí com uma grande exibição de medalhas em seu peito.



O enredo é posto em movimento por uma aposta entre La Muerte e Xibalba, sobre qual dos dois homens conquistará de vez o coração de Maria. La Muerte, a governante da Terra dos Lembrados (toda colorida e animada), faz sua aposta em Manolo, enquanto Xibalba, que supervisiona a Terra dos Esquecidos (toda escura e decadente), coloca sua fé em Joaquin e não deixa de exercer a sua influência nos rapazes para terntar manipular o resultado da aposta em pról de ganhar a mesma.



Embora o roteiro possa parecer um pouco complicado para os espectadores mirins, eles certamente serão assolados pelas imagens mágicas que representam os três mundos e seus habitantes de madeira (que imitam brinquedos típicos do méxico). Seus planos cheios de cores vibrantes, imagens detalhadas e inspiradas no folclore e arte latino-americano, em 3D, parecem feitos com bonecos e paisagens de verdade, assim como Os Boxtrolls.


Embora, felizmente, o filme seja desprovido do tipo de humor fácil predominante em tantos filmes de animação atuais, Festa no Céu oferece muita diversão com suas escolhas musicais inspiradas (que para os adultos deverá ser melhor aproveitada na versão legendada). Em um ano sem Pixar, é mais uma boa escolha de animação para crianças e adultos.



O que esperar de lançamentos de filmes de super herói até 2020?



Pelos próximos 5 anos e meio, teremos pelo menos 10 filmes do Universo Cinematográfico Marvel, 10 filmes da DC Comics e outros 10 filmes da Marvel produzidos por outros estúdios. Então nós resolvemos compilar todos esses lançamentos nesse post. Aqui você confere todas as adaptações já anunciadas e as datas selecionadas para futuros projetos.


07 de Novembro de 2014 – Operação Big Hero

Operação Big Hero, da Walt Disney Animation, inspirado nos quadrinhos da Marvel, com direção de Don Hall (O Ursinho Pooh) e Chris Williams (Bolt), é a primeira propriedade da Marvel a ser adaptada pelo estúdio de animação e não se conectará com o universo Marvel desenvolvido até aqui pela Disney. Os personagens foram criados por Steven T. Seagle e Duncan Rouleau. Os heróis apareceram pela primeira vez em dezembro de 1998.


01 de maio de 2015 – Os Vingadores 2: A Era de Ultron

Joss Whedon e todo o grupo de heróis do primeiro Vingadores se reúnem mais uma vez para combater a ameaça de Ultron, um dos seus maiores vilões de todos os tempos. Elisabeth Olsen (Godzilla) e Aaron Taylor-Johnson (Kick-Ass) se juntam ao elenco interpretando a Feiticeira Escarlate e Mercúrio, respectivamente. Ambos os novos personagens foram vistos brevemente na cena pós créditos de Capitão América: O Soldado Invernal.


17 de Julho de 2015 – Homem-Formiga

Desenvolvido inicialmente por Edgar Wright (Scott Pilgrim Contra o Mundo), mas o diretor deixou a produção por diferenças criativas. Peyton Reed (Sim Senhor) assumiu a direção e, nesse momento, o longa encontra-se em produção em São Francisco. Paul Rudd (O Virgem de 40 Anos), Michael Douglas (Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme) e Evangeline Lilly (O Hobbit: A Desolação de Smaug) estrelam o filme do herói que muda de tamanho.


07 de Agosto de 2015 – Quarteto Fantástico

Josh Trank (Poder Sem Limites) está por trás desse reboot de Quarteto Fantástico para a Fox, com roteiro de Simon Kinberg (X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido). A história focará novamente em um grupo de astronautas que ganham seus poderes após uma explosão de radiação cósmica. Kate Mara (Transcendence), Miles Teller (Reencontrando a Felicidade), Jamie Bell (Jumper) e Michael B. Jordan (Poder Sem Limites) interpretam o quarteto. Toby Kebbell (Rock’n’Rolla) interpreta o vilão Dr. Destino.


02 de Fevereiro de 2016 – Deadpool

A adaptação de Deadpool é esperada desde a desastrosa aparição do personagem em “X-Men – Origens: Wolverine”, mas a Fox sempre teve um pé atrás com essa adaptação por se tratar de um herói mais focado em um público mais maduro, restringindo a censura para um público 18 anos. Veremos se a fox terá coragem de se manter fiel ao personagem original nesse filme.


25 de Março de 2016 - Batman V Superman: Dawn of Justice

Zack Snyder dirige essa sequência de seu O Homem de Aço, que antecederá o longa da Liga da Justiça. O filme já possui alguns heróis DC anunciados Superman, Batman, Mulher Maravilha e Aquaman estarão no filme. A história acompanhará a briga épica entre Superman e Batman, mas introduzirá um grande vilão que provavelmente irá unir a dupla em prol de acabar com esse mal.


05 de Maio de 2016 – Capitão América 3

Anthony e Joe Russo, diretores de O Soldado Invernal, retornam para esse terceiro filme da franquia solo de Capitão América. Os diretores já garantiram que a relação de Steve Roger e Bucky Barnes será de grande importância na história e também prometeram que assim como no longa anterior, esse também terá eventos que impactarão em todo o universo Marvel nos cinemas.


27 de Maio de 2016 – X-Men: Age of Apocalypse

Depois do sucesso de seu retorno a franquia dos mutante, Bryan Singer dirigirá mais um longa da franquia (o seu quarto). Dessa vez, a equipe combaterá Apocalypse, que nós vimos brevemente na cena pós créditos de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido. No universo dos mutante, Apocalypse é, nada mais nada menos, do que o primeiro mutante e seus poderes incluem voar, invulnerabilidade, força sobre-humana, teleporte, telecinesia – praticamente todos os poderes mutante possíveis e imagináveis.


08 de Julho de 2016 – Doutor Estranho

A adaptação de Doutor Estranho terá direção de Scott Derrickson (Livrai-nos do Mal) a partir do roteiro de Jon Spaihts (Prometheus). Rumores de quem interpretará o personagem título já passaram por Justin Theroux até Benedic Cumberbatch. Mais recentemente, Joaquin Phoenix foi mencionado como probabilidade.


05 de Agosto de 2016 – Filme não anunciado da DC Comics

Rumores indicam que essa data pode estar guardada para o lançamento do filme de Shazam.


11 de Novembro de 2016 – Sexteto Sinistro

Escrito e dirigido por Drew Goddard (O Segredo da Cabana), provavelmente esse spin-off do universo de Homem-Aranha terá Jamie Foxx, Paul Giamatti e Dane DeHaan como Electro, Rhino e Duende Verde, respectivamente. O restante do sexteto só será conhecido durante a produção, mas especula-se que pelo menos Dr. Octopus e Abutre estarão no filme.


03 de Março de 2017 – Wolverine 2

Hugh Jackman retornará a interpretar o mutante mais famoso dos cinemas novamente com direção de James Mangold (Wolverine – Imortal). Embora o título provisório, em inglês, seja “The Wolverine 2”, esse é o terceiro filme solo do mutante nos cinemas. Mas além desse título provisório, o retorno do ator e diretor, a Fox não divulgou nenhuma outra informação a respeito do filme.


05 de Maio de 2017 - Filme não anunciado da Marvel Studios

Há um mundo de possibilidades para esse lançamento. Em anos normais o Marvel Studios lança dois filmes nos quais temos uma sequência e uma nova franquia. Mas 2017 será um ano com três lançamentos, o que dificulta prevermos o que eles pretendem. Esta data pode estar reservada tanto para Thor 3 como o aguardado longa do Pantera Negra.


23 de Junho de 2017 - Filme não anunciado da DC Comics

Mais uma vez a Warner não anunciou nada em específico para essa data, mas muitos esperam que após todos os heróis aparecerem brevemente em Batman v Superman: Dawn of Justice, essa data seja para o filme da Liga da Justiça. O filme vai reunir Henry Cavill (Superman), Ben Affleck (Batman), Gal Gadot (Mulher Maravilha), Jason Momoa (Aquaman) e possivelmente alguns outros personagens/atores que não foram anunciados.


14 de Julho de 2017 – Quarteto Fantástico 2

Apesar de sequer ter lançado o primeiro longa dessa nova leva, a Fox já garantiu a data para lançamento da sequência. Provavelmente o elenco retornará, mas não há garantia sobre o diretor que irá assumir um dos spin-offs do universo Star Wars que está sendo planejado pela Disney.


28 de Julho de 2017 – Guardiões da Galáxia 2

James Gunn retornará a direção e também ficará responsável pelo roteiro do filme que seguirá com as aventuras do grupo visto esse ano nos cinemas.O elenco está garantido na sequêcia.


03 de Novembro de 2017 - Filme não anunciado da Marvel Studios

São tantas possibilidades. Mas podemos arriscar que aqui teremos Thor 3 ou algum outro herói.


17 de Novembro de 2017 - Filme não anunciado da DC Comics

Há rumores de que essa pode ser a data reservada para o filme solo da Mulher Maravilha, que se isso se confirmar, será a terceira aparição da personagem nos cinemas.


Demais datas:

Para as demais datas ainda não temos como especular pois quase não há fatos para sabermos o que esperar. Seguem as datas:
2017 – Algum personagem feminino do universo de O Espetacular Homem Aranha ganhará um filme solo.
2018 – O Espetacular Homem Aranha 3 ainda não possui uma data definida.
23 de Março de 2018 – Filme da DC Comics.
04 de Maio de 2018 – Filme da Marvel Studios, podendo ser o terceiro Vingadores.
06 de Julho de 2018 – Filme da Marvel Studios.
13 de Julho de 2018 – Filme de algum herói cujo os direitos se encontram com a Fox.
27 de Julho de 2018 – Filme da DC Comics.
02 de Novembro de 2018 – Filme da Marvel Studios.
05 de Abril de 2019 – Filme da DC Comics.
03 de Maio de 2019 – Filme da Marvel Studios.
14 de Junho de 2019 – Filme da DC Comics.
03 de Abril de 2020 – Filme da DC Comics.
19 de Junho de 2020 – Filme da DC Comics.

Resenha: "O Doador de Memórias" se distancia um pouco do livro, mas isso não é ruim



“O Doador de Memórias” é mais simples e cru do que o resto das distopias adolescentes de hoje em dia, que tentam explicar o plano de fundo que levou aquele momento da “história” nos mínimos detalhes e ainda nos fazem engolir triângulos amorosos desnecessários (Lois Lowry publicou seu romance em 1993, o que torna os personagens de “O Doador de Memórias” parentes mais velhos de “Jogos Vorazes” e “Divergente”).



A história começa quando, depois de várias gerações, a humanidade descobriu uma forma de viver em paz e assim resolveu apagar suas memórias. No processo, deixou-se de mentir, sentir e ver cores e o humor de todos é controlado com medicação todas as manhãs. Graças a todas as abdicações, não há medo, não há ódio, inveja, violência e nenhum risco. Em suma, é o sonho de todos os pais.



Adolescentes de hoje, é claro, odiariam perder toda a futilidade que adoram mostrar nas redes sociais, por exemplo. Mas nessa “realidade” apenas Jonas, é que começa a aprender o que essa sociedade está perdendo. Ele foi nomeado o receptor de memórias – o sábio que usa os erros do passado para aconselhar os líderes do presente – e seu treinador, o tal doador do título (que é interpretado por Jeff Bridges) é o responsável por mostrar tudo ao menino.



O diretor Phillip Noyce utiliza-se de algumas montagens muito bem colocadas para mostrar o medo de Jonas ao se confrontar com nossos erros de hoje. O filme vai, aos poucos, perdendo a saturação de um belo preto-e-branco e chega às cores de maneira muito bela. Mas há várias diferenças entre essa adaptação e o livro. O que já era de se esperar. Afinal, o livro é cheio de nuances e sutilezas que não são tão vendáveis como os produtores hollywoodianos desejam. Principal mostra é fazer da personagem de Meryl Streep (que mal aparecia no livro) muito mais importante.


As escolhas do diretor, embora focadas em vender mais ingressos, não se mostram errôneas. E embora Meryl Streep cite no filme que “quando as pessoas têm a liberdade de escolher, elas escolhem errado”, nesse caso isso não se aplica. Nem mesmo para os adolescentes que optarem por ver esse filme ao invés de alguma outra bomba que esteja no cinema ao lado.



Resenha: "Guardiões da Galáxia" - Mais um acerto da Marvel Studios



Enquanto Tony Stark está por aí sendo inteligente, rico e extravagante, Thor está em Asgard com seu drama familiar e Steve Rogers tenta se adaptar a um novo tempo, chega “Guardiões da Galáxia” para tirar o Universo Marvel da zona de conforto e levá-lo para os confins de uma galáxia distante. Este décimo filme do estúdio não é apenas bom, é ótimo, pois envereda para um novo território com uma sátira mordaz e pensamento radical.



O cosmos nunca mais será o mesmo novamente. Dirigido e co-roteirizado por James Gunn (que escreveu os horrorosos “Scooby-Doo” para a Warner), este filme de super-heróis é baseado no título de 1969, mas principalmente na fase de 2008 dos mesmos. Nessa fase, os roteiristas Dan Abnett e Andy Lanning, reinventaram os personagens, sua galáxia alienígena e deram uma roupagem mais moderna para a trama, dentro do Universo Marvel dos quadrinhos.



Mas ambas as versões (de 1969 e 2008) permaneciam na margem desse universo, como se fossem quadrinhos B em comparação com os demais heróis. Até agora. Esse filme divertido e cheio de ação, bem construído e bem executado, mudará essa realidade com certeza. Com seus anti-heróis o filme já começa bastante diferente dos demais longas de herói. E James Gunn teve seu principal acerto mostrando alguns pequenos flashbacks na vida de cada um dos personagens para nos fazer conectar a esses viajantes espaciais criminosos.

Embora não seja logo de cara, os “Guardiões da Galáxia” são liderados por um Chris Pratt deliciosamente insano, um órfão abduzido da terra. Peter Quill (ou como se denomina Senhor das Estrelas) é preso por roubo de um poderoso orbe, juntamente com uma assassina verde, chamada Gamora, um guaxinim geneticamente modificado e uma árvore humanóide chamada Groot. Na prisão eles encontram o musculoso Drax, o Destruidor. A equipe está montada. Com todos os desajustes entre cada um dos personagens é muito interessante assistir a química entre eles se formar. Mesmo que dois dos personagens sejam feitos totalmente por computação gráfica.



Apesar das desavenças os anti-heróis se unem para escapar da prisão, e essa trégua entre eles é que acabará por levar seu status a super-heróis. Afinal, há uma galáxia para salvar, mesmo que o motivo inicial seja dinheiro. Ronan, o acusador, Nebulosa e Korath estão atrás do orbe roubado por Peter Quill, e não bastasse isso, o Senhor das Estrelas ainda precisa escapar de seu raptor Yondu. A trama cheia de perseguições e reviravoltas sempre faz lembrar-se de “Star Wars”, que em 2015 também ganhará uma sequência.



O filme funciona porque em meio a toda essa correria há um desenvolvimento do caráter de seus personagens, mesmo que cheio de comédia e piadas super divertidas.

Quanto a parte técnica não há o que comentar. As criaturas digitais estão perfeitas e palpáveis. Os panos de fundo das batalhas estão lembrando uma pintura futurista e apesar disso não ofuscam os atores em cena. Benicio Del Toro chama atenção como seu Coletor e Josh Brolin (embora não creditado) dá voz ao Sr. do mal já mostrado na cena pós-créditos do primeiro “Vingadores”. Detalhe que ambos os personagens funcionam como ponte para o restante do Universo Marvel nos cinemas.



E por falar em Universo, será muito divertido quando “Guardiões” acabar cruzando com algum “Vingador”. Que venha a sua sequência já agendada para 2017.

P.S.: Há uma cena pós-créditos. Embora não tenham exibido a mesma após a sessão de imprensa, a mesma estará nas cópias normais do filme nos cinemas.