007 – Os Diamantes São Eternos

(1971) ‧ 2h

“007 - Os Diamantes São Eternos”: A despedida brilhante, mas imperfeita de Connery

Felipe Fornari

007 – Os Diamantes São Eternos, lançado em 1971, marcou a despedida “oficial” de Sean Connery no papel de James Bond (embora ele tenha retornado em 007 Nunca Mais Outra Vez, um remake de 007 Contra a Chantagem Atômica, em 1983). Após pular 007 A Serviço Secreto de Sua Majestade, Connery foi convencido a voltar ao papel por uma oferta financeira tentadora, tornando-se o ator mais bem pago da época. Sua presença é um dos poucos elementos que realmente elevam o filme, além de algumas sequências de ação bem executadas. No entanto, a essa altura, a série começava a mostrar sinais de cansaço, algo que também se refletiria nas primeiras incursões de Roger Moore, como em 007 Viva e Deixe Morrer e 007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro.

Para esta aventura, a produção reuniu boa parte da equipe criativa por trás de 007 Contra Goldfinger, com a esperança de replicar o sucesso de 1964. Guy Hamilton voltou à direção, Ted Moore como diretor de fotografia e Richard Maibaum e John Barry mantiveram sua contribuição ao roteiro e à trilha sonora, respectivamente. Shirley Bassey, que imortalizou a canção-tema de 007 Contra Goldfinger, também retornou para cantar a música de abertura. No entanto, as deficiências no roteiro de 007 – Os Diamantes São Eternos impediram que o filme alcançasse a qualidade de seu predecessor.

O sétimo filme de Bond começa com o agente britânico à caça de seu arquiinimigo Blofeld (Charles Gray), buscando vingança pela morte de sua esposa, Tracy, no final de 007 A Serviço Secreto de Sua Majestade. Após eliminar Blofeld, Bond aceita uma nova missão: investigar uma rede de contrabando de diamantes. Disfarçado de contrabandista, ele viaja de Amsterdã a Las Vegas com uma carga valiosa de cinquenta mil quilates de diamantes, destinados ao recluso multimilionário Willard Whyte (Jimmy Dean). Porém, ao se envolver na investigação, Bond descobre que todos os envolvidos no esquema estão sendo assassinados.

A primeira metade de 007 – Os Diamantes São Eternos apresenta uma trama intrigante, mas logo perde o rumo. A parte sobre o contrabando de diamantes e o milionário isolado em uma cobertura é interessante, mas tudo desmorona quando a história introduz o “clone” de Blofeld e um satélite que dispara lasers. A mistura de ficção científica espacial, que já havia sido utilizada em Com 007 Só Se Vive Duas Vezes, aqui parece absurda e mal trabalhada. O desfecho é anticlimático, com os planos megalomaníacos de Blofeld sendo frustrados de maneira simplória, através da troca de uma fita cassete.

A presença de Connery, como sempre, eleva o filme a um patamar aceitável. Ele continua sendo o Bond definitivo e um prazer de assistir, mesmo em um filme abaixo da média. No entanto, o elenco de apoio não contribui muito. Charles Gray é um Blofeld pouco ameaçador e, de todas as interpretações do vilão, a sua é a menos marcante. Jill St. John, como a primeira Bond girl americana, Tiffany Chase, entrega uma das performances femininas mais irritantes da série. Norman Burton, como Felix Leiter, é completamente esquecível, e Jimmy Dean faz de Willard Whyte um personagem mais cômico do que ameaçador.

Entre as sequências de ação, destaca-se uma longa perseguição de carro em que Bond atravessa os desertos de Nevada em um veículo lunar, antes de continuar pelas ruas de Las Vegas, com uma frota de carros de polícia em seu encalço. Além disso, há uma luta divertida entre Bond e as acrobáticas Bambi e Thumper, duas mulheres que quase conseguem derrotar o agente com seus chutes altos. Porém, o final, apesar dos efeitos pirotécnicos, carece de tensão, encerrando a era Connery de forma insatisfatória. Ele merecia um desfecho mais digno, considerando seu legado na série.

Embora 007 – Os Diamantes São Eternos tenha seus problemas, a carreira de Connery como Bond foi marcada por momentos de puro entretenimento e qualidade. Mesmo que este último filme oficial tenha terminado de forma apagada, a contribuição do ator para a franquia supera os erros deste capítulo final.

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