007 Contra o Foguete da Morte

(1979) ‧ 2h06

08.12.1979

“007 Contra o Foguete da Morte”: O limite é o espaço

Entre os filmes de James Bond estrelados por Roger Moore, 007 Contra o Foguete da Morte certamente se destaca por sua ousadia em abraçar a ficção científica. Lançado em 1979, no auge da febre por filmes espaciais desencadeada por Star Wars, o longa mistura a fórmula clássica de 007 com batalhas intergalácticas. Embora alguns momentos do filme sejam absurdos até mesmo para os padrões da era Roger Moore, o carisma do protagonista e as sequências de ação bem executadas fazem deste filme um dos destaques mais divertidos de sua fase.

Apesar de o marketing ter dado ênfase às cenas no espaço, a maior parte de 007 Contra o Foguete da Morte se passa em locais terrestres icônicos, como a Califórnia, Veneza e o Brasil. As Bond girls, Dr. Holly Goodhead (Lois Chiles) e Corinne Dufour (Corinne Clery), também são terráqueas, algo que, por sorte, James Bond ainda não precisou mudar em suas missões. Goodhead é uma agente da CIA e astronauta treinada, enquanto Corinne é assistente do vilão principal, Hugo Drax (Michael Lonsdale), um magnata com planos destrutivos para a humanidade.

A trama começa com o sequestro de um ônibus espacial Moonraker, que estava emprestado dos Estados Unidos para o Reino Unido. Encarregado de investigar o caso, Bond vai até a Drax Industries, na Califórnia, onde a nave foi construída. Como era de se esperar, sua investigação logo faz dele alvo de várias tentativas de assassinato. Nesse processo, ele se aproxima de Holly Goodhead e reencontra Jaws (Richard Kiel), o vilão que já havia enfrentado em 007 – O Espião Que Me Amava.

Embora o clímax do filme ocorra no espaço, é, na verdade, a parte menos emocionante de 007 Contra o Foguete da Morte. As sequências de batalhas com lasers e combates em gravidade zero são uma exibição de efeitos especiais, mas acabam diluindo a tensão que o filme constroi nas cenas de ação terrestres. De certa forma, esse longa deixa claro que Bond funciona melhor em solo firme, onde a ameaça parece mais palpável e as cenas de ação mais envolventes.

O trabalho de John Barry na trilha sonora merece destaque. É uma das melhores desde 007 A Serviço Secreto de Sua Majestade, com uma mistura de temas clássicos de Bond e a faixa-título “Moonraker”. Além disso, Barry insere referências musicais inesperadas, como o tema de Sete Homens e um Destino e a famosa sequência de cinco notas de Contatos Imediatos do Terceiro Grau, proporcionando uma experiência sonora rica e diversificada.

Jaws, o vilão com dentes de aço, retorna para seu segundo confronto com Bond, mas desta vez com uma reviravolta. Em 007 Contra o Foguete da Morte, o personagem passa por um inesperado desenvolvimento de caráter ao se apaixonar. Embora continue indestrutível, vemos um lado mais humano de Jaws à medida que o filme avança, oferecendo um alívio cômico em meio à ação desenfreada.

O filme também marcou a última aparição de Bernard Lee como M, um personagem secundário, mas essencial para a mitologia de 007. Lee, que morreu enquanto se preparava para o próximo filme da franquia, deixou um legado duradouro com sua interpretação sóbria e autoritária do chefe de Bond.

Como o quarto filme de Roger Moore no papel de James Bond, 007 Contra o Foguete da Morte mantém o tom escapista que caracterizou sua fase como o espião britânico. Mesmo com as liberdades tomadas em relação à ciência e à física, o filme entrega exatamente o que o público espera: diversão despreocupada. O realismo, afinal, nunca foi uma prioridade nos filmes de Bond, e este longa é a prova viva de que, com James Bond, o impossível é apenas mais um dia de trabalho.

Em resumo, 007 Contra o Foguete da Morte não é apenas uma aventura espacial de James Bond, mas uma lembrança de que a franquia sabe se reinventar e acompanhar as tendências cinematográficas. Mesmo com um enredo que desafia a lógica e a gravidade, o filme cumpre seu objetivo principal: entreter e manter a mística de 007 viva e pulsante.

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AUTOR

Felipe Fornari

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