007 Contra Goldfinger

(1964) ‧ 1h50

09.01.1964

“007 Contra Goldfinger”: A obsessão pelo ouro

Com o lançamento de 007 Contra Goldfinger em 1964, o terceiro filme da franquia James Bond, a “fórmula Bond” atingiu sua maturidade. O roteirista Richard Maibaum, que já havia participado da adaptação dos dois primeiros filmes, Dr. No e Moscou Contra 007, ajustou a receita que tanto agradava o público. Aqui, ele intensificou as cenas de ação, adicionou mais mulheres deslumbrantes, deu a 007 um Aston Martin repleto de gadgets e proporcionou a Sean Connery mais oportunidades para ser o espião galanteador e cheio de tiradas sarcásticas que o público amava.

Diferente dos filmes posteriores, 007 Contra Goldfinger é enxuto, com menos de duas horas de duração. O desenvolvimento de personagens visto em Moscou Contra 007 foi substituído por um foco maior na ação. Cenas memoráveis, como a luta final entre Bond e o impiedoso capanga de Goldfinger, Oddjob, e a emocionante perseguição de carros com o Aston Martin de 007, cheio de truques como lança-fumaça, metralhadoras e assento ejetor, elevaram o nível de excitação e diversão do filme.

Na trama, a missão de Bond é observar o aparentemente legítimo negociante de ouro Auric Goldfinger, mas as coisas tomam um rumo sombrio quando uma mulher aparece morta, coberta de tinta dourada. O espião logo descobre que Goldfinger planeja algo grandioso, uma operação chamada “Grand Slam”, cujo objetivo é atacar o Forte Knox e tomar as reservas de ouro americanas. Após ser capturado na Suíça, Bond acaba sendo mantido como refém e é levado para o Kentucky, onde Goldfinger pretende realizar o maior roubo da história.

Sean Connery, mais uma vez no papel que o consagrou, exala charme e autoconfiança. O ator domina o personagem com elegância e uma sagacidade que são a essência de 007. Em 007 Contra Goldfinger, Bond enfrenta um dos seus adversários mais inteligentes. Auric Goldfinger, interpretado por Gert Frobe, não é o vilão mais cruel da série, mas sua obsessão por ouro e seu plano genial o tornam memorável. Frobe entrega uma atuação que equilibra astúcia, ganância e até uma pitada de bom humor, tornando seu personagem intrigante e ameaçador.

Se há algo que os filmes de Bond sabem fazer bem é dar destaque aos capangas dos vilões, e Oddjob, o servo coreano mudo de Goldfinger, é um dos mais emblemáticos. Com sua força descomunal e seu chapéu mortal, que funciona como um frisbee afiado, ele se torna um oponente formidável. Oddjob, interpretado por Harold Sakata, pavimentou o caminho para outros capangas lendários da série, como Jaws, de O Espião que Me Amava e 007 Contra o Foguete da Morte.

Outro destaque de 007 Contra Goldfinger é Pussy Galore, uma das “Bond Girls” mais icônicas. Interpretada por Honor Blackman, Pussy é uma mulher forte, confiante e autossuficiente, que inicialmente se mostra imune ao charme de Bond. Embora eventualmente compartilhe alguns momentos íntimos com ele, ela nunca perde sua independência. Essa complexidade a diferencia de muitas outras mulheres no universo de 007.

O filme é repleto de momentos que se tornaram lendas no universo Bond. A icônica música de abertura, interpretada por Shirley Bassey, é uma das melhores da franquia. E diálogos inesquecíveis, como a famosa cena do laser em que Bond pergunta: “Você espera que eu fale?” e recebe a resposta implacável: “Não, Sr. Bond, eu espero que você morra!” consolidaram o filme na memória dos fãs.

Em meio à era dourada de Bond nos anos 1960, é difícil apontar o melhor filme, mas a história mostrou que 007 Contra Goldfinger é uma das entradas mais interessantes da franquia. Embora mais carregado de gadgets e truques do que Moscou Contra 007, este filme continua sendo igualmente divertido. Ele também pavimentou o caminho para os rumos que a franquia seguiria nos anos seguintes, de Goldfinger até Goldeneye.

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AUTOR

Felipe Fornari

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