O Bom Dinossauro

(2015) ‧ 1h33

07.01.2016

"O Bom Dinossauro": Uma jornada emocionante e inesquecível

“E se o meteoro que atingiu a Terra bilhões de anos tivesse errado o alvo?” Essa é uma ótima chamada para o começo de uma grande história. O Bom Dinossauro, décima sexta animação da Pixar, é uma narrativa simples, mas que encanta a todos, assim como os outros filmes do estúdio.

O filme parte da ideia de que o evento que extinguiu os gigantes terrestres não aconteceu. Conhecemos Arlo, seus pais, irmão e irmã, uma família de dinossauros fazendeiros. Enquanto seus pais e irmãos são hábeis em lidar com as tarefas domésticas, Arlo é medroso e inseguro. Porém, a partir do momento que ele conhece Spot, o filhote humano, sua vida e percepção do mundo que o rodeia se altera. A relação que os dois desenvolvem é construída na troca de conhecimentos, em aventuras que eles vivem, e na confiança que nasce da superação de momentos de perigo. E se por um lado podemos adivinhar que Arlo se tornará um dinossauro diferente, por outro é impossível prever quão emocionante é o filme.

Um dos detalhes que influencia a passagem dessa grande carga emocional é o fato de O Bom Dinossauro ser uma história contada a partir do ponto de vista de uma criança, pois Arlo tem apenas 11 anos, algo inédito para a Pixar.

Em outros filmes, mesmo aqueles com personagens infantis como protagonistas, o foco estava em outro lugar. Veja o exemplo de Divertida Mente, com a menina Riley e suas emoções. Outra característica determinante é o próprio personagem Spot. Além de uma personalidade cativante, ele é o humano da história que não se comporta como tal, mas sim o bichinho de estimação do dinossauro. Então, é como se identificar com um semelhante que não só é um menininho de seis ou sete anos, mas que interpreta o papel de algo a que nós devotamos amor! Spot é frágil, indefeso, não se comunica verbalmente e por isso nos conquista com tanta facilidade.

Mas se em algum momento você pensou que toda essa atmosfera é traduzida em um filme exclusivo para crianças, não se engane. Em uma determinada cena, por exemplo, Arlo e Spot se alimentam de frutas alucinógenas sem perceber, e os efeitos são hilários, quem sabe mais para o público adulto do que para o infantil.

Para os espectadores mais atentos, uma dica é prestar atenção nas nuvens das paisagens do filme, feitas em 3D pela primeira vez, pois normalmente elas eram colocadas depois dos efeitos especiais. O resultado, assim como toda a ilustração do filme, ficou ótimo. Mesmo porque, a equipe viajou em busca de paisagens que pudessem ser retratadas de uma forma parcialmente pré-histórica e o diretor, Peter Sohn, estreante nos longas-metragens, já havia trabalhado com a Pixar no curta Parcialmente Nublado e em outros sucessos.

O Bom Dinossauro não vale só a pipoca e a entrada. É um filme inspirador que nos lembra a importância da família e das amizades e mostra como amar é fazer a vida daqueles que amamos feliz mesmo que não façamos parte dela.

Os laços feitos a partir dessa experiência são indestrutíveis, e podemos ter a certeza que são construídos desde a pré-história.

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AUTOR

Thais Wansaucheki

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