Resenha │ Batman vs Superman – A Origem da Justiça

23.03.2016 │ 11:53

"Batman vs Superman - A Origem da Justiça" coloca as peças no tabuleiro do Universo Estendido da DC Comics no cinema

Batman vs Superman – A Origem da Justiça estreia nesta quinta-feira e ele é o filme desejado pela minha criança interior, mas que ela nunca imaginou a possibilidade de ver nos cinemas.

Deixando claro que não acredito realmente na disputa entre Marvel e DC, apesar de conhecer melhor as HQ’s Marvel. Gosto e sou entusiasta do Universo Cinematográfico da Marvel, mas começo a acreditar no potencial do Universo Estendido da DC. Em grande parte isso se deve à pegada dada por Zack Snyder, em O Homem de Aço, de 2013.

A ideia de tratar o filho de Krypton como o aliení­gena que ele é, mostrando um pouco da vida do seu planeta antes de seu fatídico final, além do conflito emocional entre o Superman querer ajudar nosso mundo e com isso deixar que descubram o seu segredo, traz o cânone do herói para uma nova geração. Uma geração acostumada aos heróis mais humanos da Marvel, porém com filmes que são cheios de piadas e vilões mal construí­dos (e reitero que não deixo de gostar dos filmes deles por este motivo).

O Homem de Aço foi o começo de algo maior. E Batman vs Superman – A Origem da Justiça, que a partir de agora vou chamar de BvS, chega para comprovar isso. O primeiro filme mostrava um Superman ainda em aprendizado e cheio de dúvidas. Ele tentava diferenciar o certo do errado e assim criar um código moral universal para definir suas ações e responsabilidades. Em BvS, ele continua essa jornada e se preocupa cada vez mais com seu lugar em nosso mundo. Preocupação compartilhada pelo atormentado Batman de Ben Affleck.

Snyder usa a primeira hora do filme como construção desse Universo Estendido. Revemos a batalha do clímax do filme anterior pelos olhos de Bruce Wayne, e através desta visão vemos um lado mais humano da destruição em massa tão criticada no filme anterior. BvS se preocupa em não repetir os erros do anterior e ainda se aprofunda no tema de que os heróis da DC são praticamente deuses que andam pela Terra, em comparação com os humanos.

Essa pegada mitológica, na forma como vemos esses heróis, é o grande diferencial deste filme. Ele tenta se aprofundar em questões como de que maneira interagiríamos com esses personagens caso fossem reais. Diferente do Universo Marvel, em que você nunca cogita se questionar sobre as implicâncias de seres tão poderosos conviverem conosco. E esses questionamentos se fazem, basicamente e acertadamente, pelos olhos do Batman, o lado humano da trinca principal de heróis da Liga da Justiça.

O coração do filme é a jornada paralela entre os arcos narrativos do Batman e do Superman. Ambos enfrentam uma crise de fé e consciência, que turva a percepção que um tem do outro. E o Lex Luthor de Jesse Eisenberg colabora – e muito – para turvar essa percepção. A interpretação de Eisenberg é grandiosa em sua loucura e maneirismos, e a trilha sonora de Hans Zimmer ajuda na construção de todos os personagens, mas em especial a de Lex (assim como fez com o Coringa de Heath Ledger em Batman – O Cavaleiro das Trevas).

Enquanto Batman, Superman e Lex Luthor, entram nesse embate de fé e consciência, a Mulher-Maravilha se prova a melhor heroína retratada na telona até agora. Seu papel ainda que pequeno, é de suma importância na batalha do clí­max do filme.

BvS tem grandes cenas, faz escolhas corajosas e te arrepia em diversos momentos da projeção. Faz isso com uma história movida por personagens conflitantes, em uma escala mí­tica como os heróis da DC merecem. O resultado é um espetáculo visual grandioso, regado de emoções e que empolga para o que está por vir neste novo Universo Estendido.

Que venha Esquadrão Suicida em agosto!

Batman vs Superman – A Origem da Justiça

(Batman v Superman: Dawn Of Justice)
País: EUA
Direção: Zack Snyder
Roteiro: Chris Terrio, David S. Goyer
Elenco: Ben Affleck, Henry Cavill, Jesse Eisenberg, Gal Gadot
Ano: 2016
Duração: 2h33

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