Punho de Ferro – 1ª Temporada

18.03.2017 │ 14:14

18.03.2017 │ 14:14

Desde o início, parecia um desafio dar vida ao Punho de Ferro no universo realista estabelecido pela Marvel na Netflix. Além do adiamento da estreia, ainda ficava incerto se Danny Rand ia mesmo aparecer ou se a série iria ser substituída no calendário pela série solo do Justiceiro. Acontece que finalmente estreou e o resultado não foi dos melhores.

O distanciamento de toda sua mitologia das HQs é algo que incomoda logo de cara, o plot original é a vingança de Danny Rand contra os Meachum, sem papo nem piedade. Porém, o planejamento da trama familiar da empresa Rand é remanejado para facilitar as relações entre os personagens e suas ligações afetivas, seguindo os moldes de séries descomplicadas do canal americano ABC ou até mesmo de novelas da Globo. O problema começa com a sensação deja vù tanto em diálogos quanto em reviravoltas que remetem instantaneamente a trama de Luke Cage envolvendo os primos Cottonmouth e Mariah. Parece que a equipe criativa da série tirou proveito da trama estabelecida por esse universo para tentar deixar o Punho de Ferro mais acessível e preguiçoso. Os segredos são muito previsíveis e é estranho ver a tentativa de transformarem Colleen Wing em uma espécie de jovem Elektra. Uma pena, porque a personagem não seguiu seu peso e importância dos quadrinhos e sua adaptação beira a mediocridade.

Ainda bem que Finn Jones é um bom ator e consegue transmitir seu talento em cada ação com muito comprometimento, mas seu Danny Rand é ingênuo, inocente, facilmente enganado e não consegue mostrar quão ameaçador é seu poder. Nas HQs ele e seus pais sofrem um acidente de avião e Danny é o único sobrevivente, sendo acolhido por uma das cidades do paraíso, K’un-Lun. Lá ele foi treinado para ser o grande Punho de Ferro e defender o portal do paraíso que se abre de tempos em tempos e depois volta para Nova York. Parte dessa origem se mantém, mas K’un-Lun nunca é mostrada e essa desfeita faz a série perder sua essência. O universo místico da Marvel é infinito e essa seria a chance de dar uma aumentada no volume e viajar um pouco mais, afinal o personagem pede isso. Algumas inspirações que seriam instantâneas para guiar essa, que deveria ser uma série de artes marciais, como Kung Fu de 1972, os filmes de Bruce Lee e até Kill Bill, faltaram. As lutas e coreografias não são pensadas para impressionar e gera uma confusão porque o destemido Punho de Ferro que venceu o dragão Shou Lao e treinou anos em combate, apanha muito de qualquer capanga e luta muito mal.

Mesmo com um ótimo elenco, quem segura mesmo a empolgação no decorrer dos episódios, são os personagens extras que já vimos em outras séries, como Jeri Hogarth (Carrie-Anne Moss) e claro, Madame Gao (Wai Ching Ho) que desde a primeira temporada de Demolidor já anunciava uma ameaça grande e um mistério sobre suas ligações criminosas e também seus poderes. Gao consegue ser uma vilã manipuladora e parece controlar toda a trama. Além de Gao, ficou muito manjado usar o Tentáculo como ameaça, já que ele foi mostrado com muita força na segunda temporada de Demolidor e está claro que eles vão aprontar na série dos Defensores também, mas não faz tanto sentido assim para a mitologia do Punho de Ferro. Além de não combinar, o roteiro ainda apresenta Bakuto, um membro do Tentáculo sem muita relevância nos quadrinhos, que recruta jovens para serem guerreiros. Enquanto o sono aumenta durante os episódios, ainda somos obrigados a ver um desperdício de ator com a construção desajeitada do personagem do ótimo David Wenham (Game of Thrones) como Harold Meachum, altamente esquecível.

Entre amarrações de roteiro de modo muito clichê e a falta de enxergar os quadrinhos na tela, Punho de Ferro se perde tentando ser uma novela. A série estabelece a confiança como grande lição, mas parece ter medo de ir além e não se preocupa em surpreender. Preocupante para os fãs e também para o público em geral que já vinha acostumado com alto nível de adaptação e criação de personagens. Uma pena que o misticismo e as artes marciais à lá O Tigre e o Dragão ficaram de fora, fez falta.
Nota:

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