O Universo Marvel já experimentou muitos formatos, mas Marvel Zumbis é certamente um dos mais ousados e violentos. Derivada do episódio What If… Zombies?, a minissérie expande essa premissa e mergulha de vez em um apocalipse cheio de sangue, violência explícita e criaturas famintas. O resultado é um projeto curioso, que combina superpoderes e zumbis de forma caótica, mas que nem sempre alcança a força dramática que promete.
O grande trunfo da produção está justamente na liberdade que o gênero oferece. Zumbis já foram inseridos em contextos os mais variados possíveis, de sátiras como Orgulho e Preconceito e Zumbis a experimentos pop como Call of Duty ou Dead Set. A união entre heróis e mortos-vivos é, por si só, espetaculosa, e a série não tem medo de explorar situações absurdas. Ver ícones como Capitão América ou Capitã Marvel convertidos em monstros vorazes tem impacto imediato e rende momentos de choque bem construídos.

Ao contrário do episódio original de What If…?, que parecia tímido, Marvel Zumbis assume de vez sua identidade. O salto temporal de cinco anos permite que o roteiro crie um universo devastado, lembrando em tom obras como Mad Max. A atmosfera de fim do mundo, somada ao grupo improvável de sobreviventes liderados por Kamala Khan, confere certo frescor. Yelena, Shang-Chi, Kate Bishop e Ironheart se unem em meio ao caos, enfrentando versões zumbificadas de alguns dos heróis mais poderosos.
Há méritos em ver a Marvel se permitindo brincar com personagens menos explorados, além do retorno de vários atores que dublam suas versões animadas. A série também ousa ao zombificar figuras de peso como a Feiticeira Escarlate ou até mesmo Thanos. Essa imprevisibilidade é parte do charme: nunca sabemos quem vai surgir, quem será devorado ou quem vai se tornar um inimigo ainda mais ameaçador.
Contudo, nem tudo funciona. A animação, embora mais caprichada do que a de What If…?, ainda sofre com limitações visuais que tiram impacto de algumas batalhas. Há momentos em que a carnificina se torna repetitiva, sem espaço para construir camadas dramáticas ou explorar de fato as implicações emocionais da tragédia. A violência é abundante, mas muitas vezes gratuita, como se o objetivo fosse apenas chocar.

Também falta consistência no tom. Marvel Zumbis oscila entre a sátira sangrenta e o drama apocalíptico, mas não se aprofunda o suficiente em nenhum dos lados. Enquanto obras de zumbi conseguem dialogar com temas como poder, esperança e corrupção, aqui essas ideias aparecem de forma rasa, como pano de fundo para sequências de ação cada vez mais insanas.
No fim, Marvel Zumbis diverte em seus excessos e entrega o prometido banho de sangue com heróis devorados pela própria mitologia. Ainda assim, fica a sensação de que havia espaço para algo mais memorável e com maior peso narrativo. É um entretenimento eficaz para fãs que gostam de ver o absurdo levado às últimas consequências, mas que dificilmente vai deixar marca duradoura no Universo Marvel.

































































































































