Resenha │ Doutor Estranho

02.11.2016 │ 19:31

"Doutor Estranho" é um desvio bizarro e bonito na viagem que fazemos pelo Universo Cinematográfico Marvel

Quando você pensa nos filmes de heróis recentes o que vem a sua cabeça? Uniformes coloridos e chamativos ou lutas grandiosas que já destruíram partes de uma série de cidades como Nova Iorque, Londres, Washington, a fictícia Sokovia ou até o Planeta Xandar? Estou mais na segunda opção!

Os terceiros atos dos filmes do Universo Cinematográfico Marvel já destruíram uma série de lugares e esta destruição toda já é parte obrigatória da fórmula de sucesso do estúdio.

Mas assim como Homem-Formiga, Doutor Estranho quebra um pouco desta rotina destrutiva. E onde o diminuto herói usou de um humor leve e uma história menor (em todos os sentidos da palavra) para quebrar o ritmo, o Mago Supremo do Universo Marvel enrola um grande baseado com seus paradigmas e te convida a fuma-lo com ele ao longo de suas duas deslumbrantes horas de psicodelia.

O décimo quarto filme do estúdio acompanha Stephen Strange (Benedict Cumberbatch, da série Sherlock). Ele leva uma vida bem sucedida como neurocirurgião, porém sua rotina muda completamente quando sofre um acidente de carro e fica com as mãos debilitadas. Devido a falhas da medicina tradicional, ele parte para um lugar inesperado em busca de cura e esperança, um misterioso enclave chamado Kamar-Taj, localizado em Catmandu. Lá descobre que o local não é apenas um centro medicinal, mas também a linha de frente contra forças malignas místicas que desejam destruir nossa realidade. Ele passa a treinar e adquire poderes mágicos, mas precisa decidir se vai voltar para sua vida comum ou defender o mundo.

Não se engane! Doutor Estranho é mais uma história de origem das quais já estamos cansados. Mas isto é um problema? Não! Por quê? Porque na medida que o horizonte de Stephen Strange se expande e ele é introduzido às artes mágicas, o filme se embrenha por um caminho criativo que mais parece uma viagem de ácido das quais os roteiristas do personagem faziam uso na década de 60.

O elenco está afiadíssimo. Cumberbatch demonstra um charme fácil como o Mago Supremo, Tilda Swinton consegue mostrar a inteligência por trás da sua personagem e Chiwetel Ejiofor faz um Mordo que, para quem sabe do destino do personagem nos quadrinhos, o tornará muito mais trágico no futuro. Enquanto isso, Mads Mikkelsen como o vilão Kaecilius, salva o personagem do desastre total de termos mais um vilão mal desenvolvido pela Marvel (o real problema do estúdio).

Doutor Estranho consegue introduzir feitiços e bruxarias ao Universo Cinematográfico Marvel com a produção mais arriscada do estúdio até aqui. O filme que poderia ser o primeiro grande fracasso desta trama compartilhada, é mais um passo confiante rumo a um novo território e revigora uma fórmula cansada para origens de super-heróis. Ele desafia a realidade com um visual estarrecedor e se torna um dos espetáculos mais legais do ano.

Doutor Estranho

(Doctor Strange)
País: EUA
Direção: Scott Derrickson
Roteiro: Jon Spaihts, Scott Derrickson
Elenco: Benedict Cumberbatch, Chiwetel Ejiofor, Tilda Swinton
Ano: 2016
Duração: 1h55

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