Resenha │ Homem-Formiga

16.07.2015 │ 14:20

Sem trocadilhos, "Homem-Formiga" engrandece o Universo Cinematográfico Marvel

A Marvel vem fazendo apostas arriscadas ao longo dos anos. Quando lançou o seu primeiro Homem de Ferro, em 2008, era impensável que um personagem de segundo escalão, como Tony Stark, fosse alçado para os cinemas com as pompas de um longa-metragem grandioso. Deu certo e surgiram questionamentos do que viria a seguir.

O Incrí­vel Hulk, Thor e Capitão América cresceram as expectativas quanto aos filmes do estúdio, mas os riscos não diminuí­ram e as dúvidas de como os personagens se comportariam juntos no vindouro Os Vingadores – The Avengers, de 2012, eram o que mais se falava na Internet naquele momento.

Vingadores estreou se tornando uma das maiores bilheterias de todos os tempos e o novo risco do estúdio se tornou outro grande sucesso, Guardiões da Galáxia, de 2014. A história com Homem-Formiga, obviamente, não seria diferente. O personagem nunca foi um dos quadrinhos mais falados, mesmo o anti-herói nos quadrinhos sendo fundador dos Vingadores. E para piorar, a produção, que seria a primeira da Marvel Studios nos cinemas, lá em 2008, passou por alguns percalços, perdendo seu diretor às vésperas da filmagem no ano passado.

A boa notí­cia é que, tais percalços, não estragaram o produto final e, com o perdão do trocadilho, Homem-Formiga se tornou um GRANDE filme de um PEQUENO herói.

Paul Rudd, de Parks and Recreation, se esforça no papel do diminuto herói e se diverte quase nas mesmas proporções de Chris Pratt, em Guardiões da Galáxia. Mais uma vez a Marvel brinca com gêneros cinematográficos e o resultado é um filme de assalto charmoso e excêntrico, com um grande senso de humor e toques de ficção cientí­fica.

Embora Edgar Wright e Joe Cornish (diretor e roteirista originais do projeto, responsáveis por Scott Pilgrim Contra o Mundo e As Aventuras de Tintim, respectivamente) tenham deixado o projeto por “diferenças criativas”, suas marcas ainda estão presentes no longa, que ficou nas mãos de Peyton Reed, de Sim Senhor. O humor e o desenrolar são bastante caracterí­sticos dos filmes de Wright e Cornish.

Na trama, dotado com a incrível capacidade de diminuir em escala mas crescer em força, o ladrão e engenheiro elétrico Scott Lang (Rudd) precisa assumir o lado heroico e ajudar seu mentor, Dr. Hank Pym (Michael Douglas, de Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme), a proteger os segredos por trás do espetacular traje do Homem-Formiga de uma nova geração de ameaças. Contra obstáculos aparentemente intransponí­veis, Lang e Pym precisam planejar e realizar um assalto que salvará o planeta.

As relações pai/filha trazem peso dramático para o filme. Cassie Lang se torna a motivação para Scott Lang, enquanto Hank Pym e sua filha, Hope Van Dyne (Evangeline Lilly, da trilogia O Hobbit), acabam lançando discussão sob o dilema da falta de heroí­nas protagonistas no Universo Cinematográfico Marvel (quase um pouco de meta-linguagem visto em tela), mas fato que deve mudar com a chegada de Capitã Marvel, em 2018.

As sequências de encolhimento vistas no filme são trazidas à vida de forma gloriosa, e as cenas de ação são bastante intrincadas, detalhadas e em algumas vezes, hilárias. Porém, a beleza do filme está nos respiros espalhados através destas cenas repletas de explosões e lutas. Homem-Formiga se mostra um “grande” filme pela sua opção de simplificar a trama e focar no lado humano dos personagens, mesmo que ele comece como um ladrão.

Mais um ponto positivo para a Marvel Studios, que mescla a origem de um herói com muita diversão, no filme mais “realista” já produzido pelo estúdio.

P.S.: Há duas cenas pós-créditos no filme, uma durante e outra após os créditos finais. Fique até as luzes acenderem e você sairá louco pela estreia de Capitão América: Guerra Civil.

Homem-Formiga

(Ant-Man)
País: EUA, Reino Unido
Direção: Peyton Reed
Roteiro: Edgar Wright, Joe Cornish
Elenco: Paul Rudd, Evangeline Lilly, Corey Stoll
Ano: 2015
Duração: 1h57

Você também pode gostar…

Quadro por Quadro